A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 22/05/2022

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade somente progride quando um se mobiliza com o problema do outro. De maneira análoga a isso, os entraves relacionados ao analfabetismo digital crescem na contemporaneidade brasileira, deteriorando a vida dos cidadãos nessa condição. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: negligência governamental e impassibilidade dos indivíduos.

Cabe mencionar, em primeiro plano, a negligência do governo como agravante no revés. Nesse sentido, o filósofo inglês Thomas Hobbes defendia a ideia de que o Estado tem obrigação de promover meios que auxiliem o progresso comum. Todavia, essa tese não se aplica à conjuntura hodierna, uma vez que as autoridades governamentais não agem para criar ações que resolveriam esse défice educativo, como a disseminação de cursos de inclusão digital nas mídias digitais mais utilizadas. Logo, não é justo que a máquina pública protagonize - com sua omissão de dever - a manifestação desse problema social no Brasil.

Ademais, é notória a impassibilidade dos indivíduos como coadjuvante na questão. Acerca disso, o ‘‘Imperativo Categórico’’, conceito trabalhado pelo filósofo prussiano Kant, afirma que os indivíduos devem agir com base em ações que gostariam de ver aplicadas como uma lei universal. No entanto, parte expressiva do tecido civil, em vez de utilizar a internet como ferramenta agregadora - o que poderia ser feito com seriedade nas pesquisas sobre as informações que recebem ou que vão repassar advindas da internet -, age com indiferença e descaso. Isso, promove uma nefasta conjuntura de vulnerabilidade a possíveis golpes ou enganações. Então, é preciso fazer valer na prática o pensamento Kantiano, com vistas ao bem-estar social.

Portanto, indubitavelmente, é necessário a adoção de medidas que reduzam o analfabetismo digital na nação. Por conseguinte, cabe ao governo federal - incumbido de todo poder estatal no país -, por meio dos cofres públicos, implementar campanhas de educação digital nas grandes mídias, explicitando como utilizar a internet e os malefícios do mal uso, a fim de propiciar um ambiente informativo e inclusivo. Somente assim, a tese iluminista se concretizará, quando todos cidadãos estiverem em pé de igualdade para se importar com o outro.