A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 29/05/2022

Na obra “A escrava”, de Maria Firmina dos Reis, o pai da personagem principal Joana acaba sendo enganado por seu senhor em relação à liberdade de sua filha, uma escrava na qual seu responsável teria comprado a independência, justamente por não saber ler nem escrever o feitor entrega um documento falso ao pai da menina e se aproveita da situação. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: a inoperância estatal e falta de oportunidades aos indivíduos que já passaram da idade de alfabetização.

Em primeira análise, evidencia-se a inoperância estatal na questão de falta de medidas governamentais que garantam a alfabetização completa da população. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das instituições Zumbi do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades faz com que os indivíduos analfabetos acabem levando as suas dificuldades ao meio digital, podendo assim se tornarem vítimas de golpes. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança de realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal

Outrossim, é preciso apontar a falta de oportunidades aos indivíduos que já passaram da idade de alfabetização. Sob essa ótica, segundo a Agência Brasil, “há exatamente 11 milhões de adultos sem ler e escrever”. Dessa forma, as pessoas que passam da idade de alfabetização enfrentam desafios maiores ao encararem a retomada ao ensino e muitas vezes acabam abandonando esses esforços e contribuindo para o aumento desse número de adultos.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham conter a questão do analfabetismo digital no Brasil. Dessa maneira cabe ao MEC, fazer a implantação de disciplinas de alfabetização no meio digital tanto para crianças quanto para adultos que já passaram do período comum de ensino, através de aumento na carga horária em escolas e oferecimento de cursos o publico geral, de modo que haja a alfabetização das pessoas em meios digitais. Somente assim, os dramas vividos por pessoas como as do pai de Joana, ficaram apenas aos meios artísticos.