A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 23/05/2022

O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelo analfabetismo digital é, amiudamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a exclusão social.

A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa essa carência de conhecimento tecnológico. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, haverá um aumento nos índices de desigualdade tecnológica. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.

Outrossim, é igualmente preciso apontar a exclusão social, como outro fator que contribui para a manutenção do analfabetismo digital. Posto isso, de acordo com Steve Jobs, “A tecnologia move o mundo”. Diante de tal exposto, aumenta a preocupação com as pessoas que não usufruem corretamente dessa tecnologia. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar o aumento da ignorância populacional. Dessarte, a fim de facilitar o acesso ao conhecimento digital, é preciso que os ministérios, como por exemplo, o MEC - por intermédio de aulas e mídia - aulas onlines e divulgação em canais principais, ajude a população a evoluir seus conhecimentos sobre a tecnologia que nos cerca. Espera-se assim, que os sofrimentos retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.