A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 23/05/2022

De acordo com a teoria da “banalidade do mal”, da filósofa Hannah Arendt, a população passou por um processo tão grande de alienação, que os problemas enraizados na sociedade passam despercebidos. Essa teoria pode ser associada com o analfabestismo digital no Brasil, já que não há nenhuma intervenção no que tange o fato de que a população brasileira apresenta um baixo nível de entendimento tecnológico. Diante disso, dois aspectos se destacam: a desigualdade social e o quanto isso torna o país propício a ataques hackers.

Em primeiro lugar, é necessário entender que parte da população não disfruta de conhecimentos tecnológicos em razão da sua posição social. 19% da população não têm o acesso à internet, o que significa que não têm o mecanismo necessário para desenvolver tal domínio. Além de que, nem todos que possuem um celular e wi-fi entendem as ferramentas que com estes são disponibilizadas e a maneira correta de disfrutá-las. Tal situação acontece pois, no Brasil, não existe um ensino sobre tal assunto para aqueles que não podem pagar por um. Logo, a camada pobre e desvalorizada da população continua sem conhecimento, contribuindo para o analfabestismo digital.

Em segunda análise, é importante ressaltar que com tamanha desinformação, para além da população pobre, e ignorância do governo ao não disponibilizar recursos para o setor tecnológico, o Brasil se torna cada vez mais propício à ataques e invasões hackers que podem vir tanto de dentro quanto de fora do país. O filme “O Quinto Poder” mostra como dois colegas de trabalho criaram uma plataforma que permitiu o vazamento de dados, segredos governamentais e crimes coorporativos causando um caos nos Estados Unidos. Fora da ficção esse tipo de evento pode ocorrer em função da falta de preparo tecnológico da população e do governo.

Portanto, se faz necessária a adoção de medidas para diminuir a incidência do analfabetismo digital no Brasil. Para que isso aconteça, cabe ao Governo Federal, por meio de políticas públicas, disponibilizar mais capital e recursos para o setor tecnológico, além de disponibilizar um ensino sobre essa área para a população que não tem acesso com o objetivo de evitar os danos causados por essa problemática.