A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 25/05/2022

De acordo com a filosofia de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos inseridos em uma sociedade democrática possuem, além dos mesmos direitos e deveres, igualdade social perante à lei. Entretanto, essa ideia não se concretiza na cotidiano, uma vez que a questão do analfabetismo digital no Brasil ainda configura um desafio a ser sanado. Isso se deve não só à omissão estatal, como também à desigualdade social.

A priori, é importante fomentar a negligência governamental como impulsionadora da problemática. Segundo Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática, conceituando, assim, os cidadãos de papel. Desse modo, torna-se válido apontar que a ausência de políticas públicas de incentivo por parte governamental, no que tange, ao analfabetismo digital no Brasil, contribui cada vez mais com o atraso da inserção de novas ferramentas digitais que visem o desenvolvimento social e econômico no país, além da inércia governamental no que diz respeito a educação da população para uso dos novos recursos.

Ademais, faz-se mister, ainda, salientar a desigualdade de classes como obstáculo presente na solidificação social brasileira. Herbet Spencer, autor da teoria do Darwinismo Social, aponta que as pessoas mais adaptadas socialmente tendem a permanecer nas posições privilegiadas do corpo social. Dessa maneira, cabe afirmar que as classes mais altas, além de possuírem acesso às novas tecnologias, dispõem de informações para utilizá-las corretamente, evitando golpes cibernéticos e fake news, equanto as classes sociais mais baixas são isoladas desse benefício.

Portanto, medidas são imprescindíveis para solucionar o impasse. O Ministério da Educação, em parceria com os governos estaduais, deve propor a implantação de aulas sobre letramento digital nas escolas por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Tal projeto visará não só a teoria, mas também a distribuição de tecnologias no âmbito escolar como tablets e computadores, a fim de formar jovens capacitados quanto ao uso das atuais tecnologias.