A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 30/05/2022
No livro " O Cidadão de Papel", do jornalista Gilberto Dimenstein, a denúncia da ineficácia de diversos mecanismos legais é feita, evidenciando uma cidadania aparente - metáfora utilizada pelo autor. Nesse sentido, pode-se relacionar tal premissa ao que ocorre no Brasil, por exemplo, o fato de ainda existirem dificuldades agregadas à obtenção do conhecimento e capacitação na área digital, o que inviabiliza a plenitude do acesso à novas tecnologias existentes. Isso é causado pela inobservância estatal e pela desigualdade informacional, fatos que perpetuam esse problema.
Em primeiro lugar, de acordo com a Constituição Cidadã de 1988, todos os direitos básicos - dignidade, saúde, educação - são assegurados a toda população. Entretanto, isso não ocorre na prática, haja vista que a integração efetiva de pessoas com analfabetismo digital, como acesso à tecnologias essenciais, compreensão de informações atuais e uso das redes, está comprometida. Desse modo muitos indivíduos sofrem com a exclusão social uma vez que a maioria das coisas atuais necessitam de um mínimo conhecimento tecnológico.
Em segundo lugar, é importante citar a desigualdade informacional que ocorre para com os indivíduos que possuem menor poder aquisitivo e portanto, possuem a aproximação do uso de tecnologias prejudicados. Segundo um estudo do Instituto Locomotivas e da empresa consultoria PwC, no Brasil há mais de 33,9 milhões de pessoas sem acesso à internet e outros 86,6 milhões sem o acesso pleno diário ao mesmo atributo, tal informação reforça o descaso que ocorre com uma parcela da população, fazendo que nem todos consigam usufluir das tecnologias de forma ampla.
Diante do exposto, é possível perceber que a persistência do analfabetismo digital possuem desdobramentos nocivos para a sociedade brasileira. Portanto, compete aos cidadãos brasileiros exigir que o Estado disponibilize pontos de ajuda e de suporte ao uso de tecnologias. Ademais compete ao Ministério da Ciência e Tecnologias combater a exclusão digital, por meio de oferta de computadores e redes gratuitas de wi-fi para pessoas financeiramente desprovidas, com o fito de democratizar o acesso à informação e a educação sobre o meio digital.