A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 28/05/2022
“Construímos muitos muros e poucas pontes”. Essa afirmação do teólogo e cientista inglês Isaac Newton pode ser facilmente aplicada ao comportamento da sociedade diante do analfabetismo digital no Brasil, já que essa questão de não haver inclusão nos meios digitais é marcada na sociedade por concentrar a construção de barreiras sociais e a escassez de medidas para a sua erradicação. Desse modo, atuam agravando o quadro central não só a sua rápida expansão sem o hábil conhecimento como também o deficitário auxílio do Estado na promoção de uma igualdade no âmbito digital.
Em um primeiro plano, é importante pontuar que a rápida expansão da internet sem o conhecimento hábil é um dos principais fatores que corroboram para a perpetuação dessa problemática. Segundo o conceito de Refugo Humano de Bauman, a sociedade tende a excluir aqueles incapazes de acompanhar as expectativas desejadas. Analogamente, o tecido social, tende a segregar quem não possui um conhecimento prévio sobre a tecnologia e sua constante evolução, já que são considerados ultrapassados ou analfabetos nesse quesito, afirmando que não há lugar para essa população dentro dos meios digitais, uma vez que se tem o pensamento errôneo de que todos sabem tudo. Porém, sabe-se que isso é um equívoco, já que esse crescimento é tão abrangente que se torna difícil acompanhar.
Ademais, o contratualista John Locke afirma ser dever do Estado a garantia de direitos imprescindíveis a todos os cidadãos, garantindo o bem-estar. Sob a ótica do filósofo, então, pressupõe-se que o governo deva auxiliar de forma possível, os indivíduos que tange o analfabetismo digital, fator essencial para que se possa viver de forma adequada. Contudo, no Brasil, percebe-se que os órgãos responsáveis continuamente falham no seu compromisso para com o cidadão, uma vez que sua negligência fortalece a exclusão e a pensamento de que todos devem saber tudo.