A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 14/07/2022
No filme “O Estagiário”, Ben é um idoso aposentado em busca de um emprego, porém, ele é ignorado pelos contratadores, devido não conseguir manusear um computador. Hodiernamente, no Brasil, o conteúdo da obra cinematográfica também acontece na prática, uma vez que a questão do analfabetismo digital é responsável, principalmente, pela exclusão de idosos. Logo, faz-se necessário analisar como a omissão governamental e midiática perpetuam esse cenário.
Em primeira análise, deve-se ressaltar a imparcialidade governamental para atenuar esse problema. A esse respeito, a Constituição Federal brasileira, promulgada em 1988, prevê a todo cidadão o pleno direito à educação. Nesse ínterim, entretanto, os ideais da Carta Magna não são executados na realidade, uma vez que as autoridades administrativas não fornecem cursos simplificados, por meio de profissionais qualificados, que garantam a atualização dos idosos no meio digital. Dessa forma, é inaceitável que o país não universalize esse direito constitucional tão importante na sociedade.
Em segunda análise, é válido destacar que a mídia atua como outro agente que fomenta esse impasse. Nesse sentido, o sociólogo Karl Marx afirma que priorizar os lucros em detrimento de valores pode gerar inúmeros malefícios ao ser humano. Da teoria à prática, compreende-se que a mídia possui elevado potencial de divulgação, no entanto, ao não compartilhar, por meio do rádio e da televisão, sobre dicas rápidas e simples que auxiliem o idoso no manuseio de aparelhos tecnológicos, ela negligencia o tema. Consequentemente, devido à carência de visibilidade dada à questão, a problemática se mantém no Brasil.
Portanto, a fim de que o analfabetismo digital na contemporaneidade seja amenizada, o Ministério da Educação, responsável pela garantia da educação brasileira, por intermédio de investimentos governamentais, deve criar um projeto estatal, com o auxílio da mídia, que disponibilize minicursos e dicas rápidas para a atualização dos idosos no mundo digital. Espera-se, com isso, que as dificuldades apresentadas no filme “O Estagiário” não sirvam mais de analogia no Brasil.