A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 30/08/2022

Embora a Organização das Nações Unidas (ONU) tenha assegurado o acesso à internet como direito humano, tal garantia é deturpada visto que, no Brasil, o analfabetismo digital, que é considerado um tipo de exclusão digital - exclusão cognitiva, é uma realidade. Esse quadro gera consequências graves aos analfabetos digitais, e tem como uma das causas a negligência governamental.

Em primeiro plano, vale ressaltar que a falta de ações governamentais efetivas está entre as causas do problema em questão. Tal fato é exemplificado na falta de aulas de informática obrigatórias na Base Nacional Comum Curricular, assim exprimindo se tratar de algo dispensável. Logo, a inativação do estado no que tange à educação digital contribui para a perpetuação do analfabetismo digital.

Ainda, deve-se salientar que essa forma de exclusão digital compromete o pleno exercício da cidadania do grupo supracitado. Levando-se em consideração que, de acordo com filósofo Pierre Lévy, vivemos em uma sociedade hiperconectada, através da internet temos acesso à diversas informações, assim como à meios para acessar lugares e direitos. Dessa forma, conclui-se que a falta de acesso às Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), priva o analfabeto digital de ter seus direitos integralmente assegurados, configurando-se também como exclusão social.

Em virtude dos fatos apresentados, com a finalidade de mitigar o analfabetismo digital, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, promover a capacitação da sociedade no que diz respeito ao uso adequado das TICs. Tal ação deve ser efetivada por meio da oferta de aulas de informática nas escolas, não apenas para os alunos dessas instituições, mas também ao restante da população afim de ampliar a educação digital.