A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 08/11/2022

Na série “Todo Mundo Odeia o Chris”, a personagem “Rochelle” enfrenta obstáculos para se adaptar às mudanças feitas no seu ambiente de trabalho com a introdução de um computador. Fora da ficção, nota-se que essa realidade persiste, pois o analfabetismo digital se faz presente no Brasil, seja pela alta desigualdade social, seja pela dificuldade da população idosa em adquirir essa habilidade. Assim, faz-se mister modificar o quadro atual.

Antes de tudo, é preciso observar o cenário financeiro. A esse respeito, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informam que, no Brasil, cerca de 13 milhões de pessoas vivem em situação de extrema pobreza e miséria. Nesse contexto, percebe-se que essa parcela da população é privada do contato frequente com as ferramentas tecnológicas em função da pouca disponibilidade de recursos financeiros, uma vez que os aparelhos possuem alto valor aquisitivo. Com isso, tal fator chama atenção para a problemática de que, se nada for feito, muitos cidadãos brasileiros permanecerão distantes da alfabetização digital e segregados do ambiente tecnológico, em razão da desigualdade social no país.

Outrossim, é preciso pontuar a dificuldade enfrentada pelos idosos. Nesse horizonte, o sociólogo Pierre Bourdieu aponta, em seu conceito de “Hábitus Primário”, como os conhecimentos adquiridos na infância se perpetuam mais facilmente na vida adulta, por ser o período mais importante na formação individual. Seguindo essa linha de pensamento, fica claro que, por não terem tido contato com computadores, celulares e outros aparelhos digitais na infância, é natural que muitos idosos apresentem maior dificuldade de adaptação à leitura, escrita e manuseio das ferramentas digitais, durante a terceira idade.

Portanto, cabe ao governo, na condição de garantidor dos direitos individuais, assegurar a capacitação tecnológica da população de analfabetos digitais. Tal ação deve ocorrer por meio da promoção de cursos gratuitos de informática básica principalmente para idosos e pessoas com baixa renda, com o objetivo de democratizar os mecanismos de busca, aprendizado e socialização oferecidos pela tecnologia. Por fim, o analfabetismo digital será mitigado e situações como a da personagem Rochelle se limitarão ao cenário ficcional no país.