A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 09/11/2022

“O importante da vida não é viver, mas viver bem”. De acordo com Platão, ainda na Grécia Antiga, é a qualidade de vida, e não a simples existência, o que deve ser valorizado. Porém, mais de dois mil anos depois, “viver bem” ainda se mostra uma difícil tarefa aos estudantes que enfrentam o analfabetismo digital no Brasil, haja visto os altos índices de lares com falta de acesso à internet. Desse modo, é essencial analisar os principais propulsores desse contexto hostil: o descaso governamental e a falta educacional.

Sob esse viés analítico, é importante destacar, a princípio, que a inoperância estatal é um fato preponderante para a ocorrência dessa problemática. De acordo com Thomas Jefferson – terceiro presidente dos Estados Unidos –, a aplicação das leis é mais importante que sua elaboração, visto que, em decorrência dessa indiligência do poder público, cria-se um ambiente propício para sequelas profundas no ensino tais como a exclusão digital e desigualdade social. Por isso, é notório que a omissão do Estado perpetua o deficitário acesso à cidadania.

Por outro lado, é fulcral salientar a culpa de parte da população à degradante situação dos discentes que apresentam entraves em suas vidas como a pressão familiar e insegurança. “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. A afirmação, atribuída à filósofa Simone de Beauvoir, pode ser aplicada a situação de vulnerabilidade social presente nesse grupo, já que mais escandalosa do que a ocorrência dessa problemática é o fato da população se habituar a essa realidade. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, por intermédio de especialistas, promova palestras e discussões acerca do tema – o qual irá abordar questões sobre as tecnologias educacionais – a fim de reeducar a todos e construir hábitos modernos relevantes para melhorar o convívio em sociedade. Deste modo, espera-se que os indivíduos em questão recebam uma maior atenção do Estado e a sociedade para que possam, finalmente, “viver bem”.