A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 09/11/2022
Jean Paul Sartre, filósofo francês, defendeu a ideia de que o homem está condenado ao direito de igualdade, e que não há barreira social, psicológica ou histórica que possa ofuscar isso. Tomando como norte a máxima do autor, compreende-se que tal ideal é falho na sociedade hodierna quando se coloca em foco o analfabetismo digital, haja vista que segrega alunos que não possuem acesso à tecnologia e, ainda, é precursor para a disseminação de notícias falsas, tornando-se ferramenta de exclusão ao invés de integração.
Nesse contexto, é importante enfatizar que a estratificação social no Brasil hodierno tem por consequência a exclusão digital, a qual prejudica o indivíduo a obter acesso ao ensino tecnológico. Conforme dados da CNN, a pandemia do covid-19, em seu primeiro ano, trouxe como efeito a evasão de 172 mil alunos. Dessa maneira, a falta de infraestrutura e acompanhamento próximo impulsiona estudantes de menor renda a abandonar a escola, contribuindo desse jeito, para uma info-exclusão.
Ademais, convém salientar que o mau uso da rede virtual culmina na disseminação das chamadas “fake news”. Segundo o jornal “The Economist”, o Brasil está em quarto lugar no nível de confiança de informações compartilhadas em redes sociais. Assim, a lacuna deixada pela falta de educação digital, juntamente com o analfabetismo tecnológico, impulsionam a repetição do mesmo cenário vivido na época colonial em pleno século XXI, a divulgação de notícias falsas no ambiente popular, já que o senso crítico deixa de ser praticado para dar espaço ao senso comum.
Portanto, medidas são necessárias para combater o analfabetismo digital no Brasil. Cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, implementar a ação “Dignidade Tecnológica”, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Tal iniciativa deverá promover palestras em escolas abertas para a comunidade, acerca dos cuidados ao compartilhar notícias nas redes sociais, bem como instalar internet de qualidade e computadores/notebooks para que a população e os estudantes usufruam. Espera-se, dessa forma, que a igualdade tecnológica e a adaptação da aprendizagem sejam alcançadas