A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 02/11/2023

A Constituição Federal de 1988 prevê, em seus artigos 5º e 6º, os direitos à igualdade e à assistência aos desampa-rados como essenciais a todos os cidadãos. No entanto, ao se analisar a questão do analfabetismo digital no Brasil, entende-se que esta prerrogativa não é garantida, uma vez que boa parte da nossa população não usufrui, de maneira correta, os benefícios proporcionados pela tecnologia e pela internet. Nesse sentido, é essencial analisar duas vertentes desta problemáti-ca: a ineficiência estatal e a falta de debate sobre o assunto.

Sob essa perspectiva, é preciso discutir, inicialmente, a relação entre a inope-rância estatal e o analfabetismo digital no país. Nesse viés, quando o Estado não garante, de maneira efetiva, a igualdade no uso de tecnologias, ocorre o agrava-mento de feridas socioeconômicas já conhecidas pela nossa sociedade. Em outras palavras, pessoas mais pobres estão ficando cada vez menos integradas às infor-mações e à sociedade, uma vez que o Estado falha em garantir os meios necessá-rios para a integração digital. Logo, a ineficiência estatal tem relação direta com a marginalização da faixa mais pobre e menos instruída do país.

Ademais, é preciso salientar, também, a falta de discussão sobre o analfabetismo digital no Brasil. Segundo o filósofo alemão Jurgen Habermas, a razão social - ou seja, o diálogo - estabelece etapa fundamental do desenvolvimen-to da sociedade. Dessa maneira, a falta de estímulo ao debate sobre o assunto coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente, ocasiona a manutenção desta chaga. Em suma, a falta de debate sobre o analfabetismo digital invisibiliza o assunto, de maneira que nossa sociedade não esteja preparada para lidar com isso e, muito menos, propor soluções para este problema.

Portanto, é imprescindível que o Poder Executivo Federal, por meio do Ministé-rio da Educação, promova campanhas que visem à extinção do analfabetismo digi-tal. Estas campanhas devem ocorrer, principalmente, por meio de palestras em es-colas, em que crianças serão ensinadas a realmente fazer bom uso da tecnologia, com o intuito de promover uma sociedade mais justa e igualitária. Dessa forma, será possível vivenciar uma sociedade realmente pautada na Carta Magna.