A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 17/06/2024

A evolução digital ocorrida nas últimas três décadas foi tal que tornou-se impossível de dissociar-nos do cotidiano o uso de ferramentas como computador e celular. No entanto, diversas pessoas não conseguem utilizá-las corretamente, levando-as a confiar facilmente em informações compartilhadas nas redes sociais e consequentemente propagar mais conteúdos falsos. Esse problema deriva do analfabetismo digital, causado pela falta de instrução sobre o uso correto de tais ferramentas e pelo analfabetismo funcional.

Segundo o relatório anual “The Inclusive Internet Index 2019”, que avalia preparo, facilidade de acesso, disponibilidade e relevância da internet em nível global, no quesito confiança em informações dadas pela internet, ficamos em quarto lugar. O alarmante dado é fruto da falta de educação a respeito do uso das mídias digitais, que não incentiva nem ensina propriamente as pessoas a como conferir a veracidade de um conteúdo, contribuindo para a disseminação de fake news.

No entanto, o analfabetismo digital tem raízes mais profundas: o analfabetismo funcional. Cerca de 29% da população foi dada como analfabeta funcional em 2018, segundo dados do último Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf). A pouca ou total ausência dessas habilidades impede que o indivíduo interprete corretamente textos e limita seu raciocínio, intensificando o ato de espalhar desinformação e impossibilitando a educação digital.

Portanto, para a resolução do analfabetismo digital, é necessário, primeiramente, erradicar o analfabetismo funcional, por meio da criação de programas supletivos na educação brasileira realizadas pela Secretaria da Educação, além do reforço da leitura e escrita nos primeiros anos de vida. Com isso, torna-se possível a resolução da falta de instrução sobre o uso correto dos meios digitais, sendo também uma responsabilidade da Secretaria da Educação de fornecer ferramentas tecnológicas nas escolas e estipular a contratação de profissionais especializados para instruir alunos e funcionários, além da criação de conteúdos educativos de fácil acesso para a população que não é mais estudante. Somente assim, resolveremos a questão do analfabetismo digital no Brasil.