A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 07/09/2024
Na obra “Ensaio Sobre a Cegueira”, José Saramango emprega uma alegoria para expor as fragilidades das estruturas institucionais diante dos problemas que perpe-tuam a desigualdade. Nesse contexto, o analfabetismo digital no Brasil revela uma lacuna significativa que necessita ser abordada. Dessa forma, é crucial analisar o despreparo digital sob a perspectiva da desigualdade econômica e do sistema edu- cacional mal estruturado.
É mister ressaltar, em primeira instância, que a disparidade econômica fomenta o analfabetismo digital no Brasil. Consoante ao geógrafo Milton Santos, quando um direito não é universalmente acessível, a cidadania fica comprometida. Nesse con-texto, observa-se um contraste acentuado no acesso digital entre as camadas soci-oeconômicas mais pobres e as mais abastadas. Esse desnível é promovido pela fal-ta de recurso financeiros, uma vez que a escassez limita o acesso a tecnologias es-senciais, como computadores e conexão à internet, exacebando a desigualdade no acesso às ferramentas digitais.
Outrossim, a defasagem escolar na imersão digital contribui significativamente para a inexperiência digital. Isso acontece porque a infraestrutura para aulas de in-formática nas escolas é inadequada ou até inexistente, seja pela ausência de pro-fissionais capacitados para ensinar a área, seja pela carência de equipamentos a-tualizados e de uma internet eficiente. Nesse contexto, as habilidades digitais no currículo escolar ficam relegadas, resultando em uma preparação deficiente para o uso de tecnologias. Por exemplo, pesquisas da Universidade de São Paulo ratificam que apenas 23% das escolas brasileiras incluem a disciplina de informática em seu currículo. Ora, se a escola não capacita, entende-se, assim, o motivo do revés.
Diante do exposto acerca do analfabetismo digital no Brasil, é imperativo que medidas sejam tomadas. Logo, o governo, responsável pelo bem-estar social, deve realocar 5% do Produto Interno Bruto, para um programa estratégico nacional de inclusão digital, o qual deverá ser executado por meio da contratação de profissio-nais que estudarão as demandas locais. Com base nos resultados, devem ser cons-truídas oficinas de informática em bairros, para serem oferecidas aulas semanais abertas à população. Assim, será possível superar a “cegueira” social.