A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 02/05/2025

Com a Revolução Técnico-científico-informacional na segunda metade do século XX, os meios de comunicação tornaram-se, majoritariamente, ferramentas econô-micas e meios de socialização. Na atual conjuntura global, o acesso à internet e seus artifícios passou a ser fundamental para a vida cotidiana. Entretanto, o rápido avanço tecnológico, aliado às desigualdades sociais, contribui com o analfabetismo digital de parte da população brasileira, que por conseguinte, é excluída do meio virtual e sofre riscos quando acessa as redes.

Em primeiro lugar, é válido afirmar que o despreparo digital é mais um dos desa-fios enfrentados pela educação básica e é uma consequência da desigualdade so-cial no Brasil. Segundo Steve Jobs, fundador da empresa de tecnologia Apple, “a tecnologia move o mundo”, nessa perspectiva, em uma realidade de imobilidade social, a população de baixa escolaridade fica “atrasada” e excluída de um dos prin-cipais meios de comunicação, socialização e acesso à cidadania: a internet.

Em segundo lugar, é importante ressaltar que, após a pandemia do coronavírus em 2020, diversos serviços públicos e privados passaram a ser prestados e solicita-dos virtualmente, como transferências bancárias e provas de vida. Contudo, ape-sar de mais prático e cômodo aos usuários, muitos idosos que precisam desses serviços não dominam o uso da internet. Dessa forma, a inabilidade deixa esses cidadãos vulneráveis a golpes bancários e roubo de dados pessoais. Além disso, ficam suscetíveis a receber e divulgar informações falsas que podem tanto ameaçar o Estado democrático de direito, quanto fomentar o negacionismo científico.

Por isso, mostra-se necessário que o Governo Federal, por meio do CRAS — Cen-tro de Referência de Assistência Social —, promova a educação digital para idosos e também nas regiões de população mais vulnerável, por meio de aulas e palestras que ensinem o público como usar as principais ferramentas virtuais, táticas de se-gurança cibernética e também que incentivem os indivíduos a buscarem por dife-rentes fontes de informação. Para que, assim, seja minimizado o analfabetismo digital e garantida a segurança e inclusão dos cidadãos que, até então, não se viram contemplados pelo caráter transformador da tecnologia, mencionado por Steve Jobs.