A questão do plágio na contemporaneidade
Enviada em 03/08/2024
A filósofa Djamila Ribeiro afirma que é preciso tirar situações da invisibilidade para que soluções sejam encontradas. De maneira análoga a isso, esse tipo de colocação reflete significativamente no cenário atual, enfraquecendo problemáticas como a questão do plágio ser oculta na sociedade. Nesse sentido, o individualismo e a limitação criativa são fatores importantes nessa trama.
Nesse contexto, o pensamento individualista que rege o âmbito social influencia o uso do plágio na contemporaneidade. Em suma, a facilidade que o ser humano possui de copiar obras de outros autores e enganar terceiros, bem como tomar posse de algo que não o pertence, se encaixa perfeitamente no conceito temporal ‘‘modernidade líquida’’ do sociólogo Bauman. Conforme o pensador, as relações de poder ficaram sobrepostas às relações humanas, fragilizando o laço entre pessoas. Dessa forma, infelizmente o sentimento de valorização com outros é quebrado, visualizando apenas o domínio, nesse caso, o desejo de copiar uma obra para obter prestígio e invalidando o vínculo de humanidade com a vítima.
Ademais, é importante salientar que a imitação desonesta de um projeto limita a criatividade. Em síntese, a reprodução de trabalhos já existentes leva ao desinteresse de criações, pois a originalidade demanda muito esforço, tornando uma sociedade tragicamente frágil, de um imaginário preguiçoso. Uma ilustração sobre isso é o fato social de Émile Durkheim, afirmando que o ser humano não é espontâneo, ele apenas reproduz aquilo feito pelos outros. Sendo assim, consoante ao filósofo, o conjunto de hábitos praticados pelas pessoas -ações- identifica-se com a consciência coletiva, refletindo como fato social o plágio e a limitação criativa sendo sua consequência.
Portanto, cabe aos meios sociais - órgãos de grande influência coletiva- como escolas e a indústria midiática, estabelecerem medidas de conscientização populacional. Isso deverá ocorrer por meio do investimento de campanhas, realização de aulas sobre o tema e exibição de documentários na TV aberta. De certo, visando diminuir o ato de plagiar, minorando os impactos negativos conflituosos entre os cidadãos e evoluindo sua relações, retirando um problema de invisibilidade como deseja Djamila Ribeiro.