A questão do plágio na contemporaneidade
Enviada em 15/10/2024
Em sua obra “Ética a Nicômaco”, o filósofo Aristóteles discorre sobre noções morais importantes para o bom convívio dos gregos de seu tempo. Nos tempos modernos, tais aspectos podem ser transpostos para diversas áreas da vida em comunidade, de forma que podem afetar inclusive questões profissionais. Em particular, a questão do plágio na contemporaneidade ataca a idoneidade das produções acadêmicas bem como fere princípios éticos fundamentais para o bom funcionamento da sociedade.
Em primeira análise, é importante perceber que a possível ocorrência de plágio em textos universitários pode colocar em dúvida a real autoria de trabalhos acadêmicos. Um exemplo desse tipo de situação ocorreu durante a criação do Facebook, que surgiu inicialmente como um projeto universitário. Conforme retratado no filme “A rede social”, a apropriação de todo o projeto por Mark Zuckerberg ignorou a participação fundamental de Eduardo Saverin, causando um grande imbróglio judicial. Dessa forma, mesmo em artigos de menor porte, graves injustiças podem ser geradas por atitudes plagiadoras.
Além disso, deve-se destacar que o plágio configura um crime conforme as leis de direitos autorais. Da mesma forma que alguns delitos leves são punidos de forma exagerada, como no caso de Jean Valjean, personagem do romance “Os Miseráveis”, que é condenado a anos de trabalhos forçados por roubar um pedaço de pão, o roubo de propriedade intelectual, por outro lado, não recebe a devida importância. Desse modo, situações igualmente criminosas podem ser tratadas de formas diferentes, o que põe em risco a boa convivência dos indivíduos.
Portanto, nota-se que a ocorrência de plágio nos tempos atuais gera sérios conflitos éticos entre os cidadãos. É fundamental que as escolas brasileiras criem projetos de conscientização para que, por meio de palestras e aulas em que seja ensinado como fazer citações corretamente, por exemplo, os jovens entendam desde cedo os problemas morais de plagiar outros autores. Assim, poderão, no futuro, aplicar esses valores no cotidiano para desenvolver uma sociedade mais ética, nos moldes do que Aristóteles propôs a Nicômaco há mais de dois mil anos.