A questão dos refugiados climáticos em debate

Enviada em 25/09/2025

No livro “Quarto de Despejo”, Carolina de Jesus traz luz ao cotidiano das favelas paulistanas, expondo como a pobreza e a indiferença social condenavam os seus moradores à invisibilidade, já que suas vidas não eram consideradas dignas de atenção estatal. Analogamente, tal obra evidencia como grupos vulneráveis são apagados da visão coletiva, principalmente em função da questão dos refugiados cllimáticos . Assim, isso ocorre devido à omissão estatal e tem como consequência o afastamento da isonomia social.

Diante desse cenário, é vital destacar a negligência governamental como propulsor. Nesse sentido, segundo uma pesquisa feita pela USP (Universidade de São Paulo), uma das maiores enchentes já registradas no Brasil afetou 60% do território do Rio Grande do Sul, deixando mais de 300 mil pessoas desabrigadas. Desse modo, a fragilidade da atuação estatal na prevenção ou reintegração dos refugiados climáticos -pessoas que são obrigadas a se realocarem devido a mudanças climáticas extremas- afeta diretamente o indivíduo. Logo, em decorrência desse descaso, a integridade coletiva da população em regiões suscetíveis a catástrofes ambientais, com secas ou chuvas rigorosas, não são devidamente geridas pelo Estado. Consoante a isso, a inércia administrativa contribui para a banalização desse impasse, pois, se o governo não investe em medidas preventivas ou reintegrativas em locais de risco climático, eles serão ignorados pela sociedade, fortalecendo a crítica de Carolina de Jesus.