A questão dos refugiados climáticos em debate
Enviada em 11/03/2023
No período da Pré-história a “Revolução Neolítica” marcou a sedentarização do ser humano, entretanto, anteriormente, os nômades eram condicionados pela ação da natureza e constantemente precisavam se refugiar das rigorosas condições natura-is em outros locais. Analogamente, na conjuntura contemporânea, mesmo após a sedentarização dos povos, a questão dos refugiados climáticos é uma realidade que deve ser debatida. Nesse sentido, apresentam-se como estorvos da problemá- tica a negligência governamental e a alienação social.
Sob essa perspectiva, a infrequência de políticas públicas voltadas para a questão de moradia segura para as classes mais baixas da sociedade apresenta-se como principal agravante do problema. Durante a República Oligárquica no Brasil, tenta-tivas governamentais de reurbanização foram responsáveis por demolir habitaçõ- es das populações mais pobres sem qualquer indenização, assim, deu-se início a periferização das classes mais baixas da sociedade, que, sem apoio do governo, foram obrigadas a estabelecerem-se em moradias precárias. Portanto, as tragédias climáticas contemporâneas que resultam em milhares de refugiados devem-se a um passado de negligências que se perpetuam.
Outrossim, a falta de preocupação dos cidadãos bem estabelecidos socialmente com as situações que os cercam é mais um imbróglio que contribui com o tema. Isso porque, segundo estudos da socióloga Hanna Arendt, a banalização dos males enraízados na sociedade resulta na alienação social e na permanência desses problemas. Logo, enquanto os cidadãos banalizarem a periferização dos refugiados vítimas de desastres naturais, essa conjuntura se repetirá todos os anos e nada será mudado.
Dado o exposto, medidas interventivas devem ser realizadas para erradicar esses imbróglios. Para tanto, o governo federal juntamente ao Ministério do planejamen-to - órgão responsável por liberar verba para obras públicas - devem elaborar um plano de infraestrutura que vise a construção de moradias seguras para refugiados e moradores de periferias, além de campanhas de conscientização popular. Por meio de incentivos a iniciativa privada e investimentos federais. Tal medida tem o objetivo de realocar essas pessoas e impedir que essas tragédias se repitam.