A questão dos refugiados climáticos em debate
Enviada em 20/06/2023
A obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, retrata a família de Fabiano que, graças às intensas secas nordestinas, vive como retirante, em busca de lugares com condições climáticas favoráveis à vida. Paralelamente, é possível observar que, assim como a família de Fabiano, muitos são forçados a sair de seus locais de origem por conta de problemas climáticos. Nesse cenário, tais indivíduos são conhecidos como refugiados do clima, grupo que enfrenta dificuldades e possui escassos direitos. Desse modo, constata-se um impasse que deve ser mitigado pela atuação em suas principais causas: a omissão governamental e a falta de debate.
Em primeiro lugar, é fato que a inoperância estatal é uma das origens das questões negativas vivenciadas pelos refugiados. Sob essa óptica, Locke alega que o Estado é responsável por garantir o bem-estar da nação, ou seja, é papel dos governantes assegurar boas condições de vida para todos, inclusive aqueles que estão no país em busca de sobrevivência. Nesse contexto, é perceptível que o poder público assume uma postura omissa quanto à pauta, pois não há a promoção de estímulos para que aqueles que se refugiam no Brasil possuam direitos formais. Assim, percebe-se que o Governo brasileiro tem parte da culpa.
Além disso, vale destacar que a falta de debate é uma das raízes da questão. Nessa perspectiva, o filósofo Habermas alega que a linguagem é uma forma de ação, ou seja, discutir sobre um empecilho é um caminho para sua solução. Nesse âmbito, fica evidente que a falta de valorização e direitos de emigrados são pautas silenciadas, já que parte da população não tem conhecimento sobre o assunto, isso pois não há abrangente disseminação de informações nos meios de comunicação.
Portanto,devem ser tomadas medidas que revertam esse cenário negativo relacionado aos refugiados do clima. Para tanto, o Ministério da Cidadania, em parceria com a grande mídia, deve promover campanhas publicitárias sobre a importância da valorização e respeito para com povos refugiados. Ademais, tais campanhas devem ser disseminadas pelas redes sociais e pelos grandes veículos midiáticose o ministério deve organizar leis efetivas que assegurem direitos à essa parcela do povo. Tudo isso afim de que a sociedade brasileira se eduque sobre o assunto e para que expatriados tenham cidadania e vivam plenamente.