A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 27/09/2019
José de Alencar, em uma de suas obras mais conhecidas; “Iracema”, retrata a história de uma jovem indígena como símbolo do nacionalismo romântico, visando relacionar a figura do índio como herói da nação. Fora da ficção, é fato que a imagem criada por Alencar não é uma realidade no século XXI: gradativamente, o índio é visto como um empecilho para algumas entidades e desvalorizado por outras, afetando não só seu espaço como também sua cultura e bem-estar.
Em primeiro plano, é importante ressaltar que segundo a Constituição Federal, as terras indígenas devem ser resguardadas por lei, contudo o avanço da fronteira agrícola e as ações de diversas instituições se manifestam a favor, sobretudo, do agronegócio e da economia, o que gera perda de diversas reservas indígenas de forma criminosa e conflitos por terras. Além disso, segundo a Funai (Fundação Nacional do Índio) ainda existem mais de 100 terras que continuam em estudo para a efetivação de sua demarcação como patrimônio indígena. Assim, segundo dados do G1, em conflitos por terra a cada 34 assassinados, 15 são indígenas. Nesse sentido, pode-se perceber que a questão da terra ainda é uma grande adversidade para os índios.
Outrossim, além dos empecilhos causados pela reserva e preservação de terras indígenas, a falta de representatividade se torna outra adversidade. Diante disso, é notório que as diversas tribos indígenas que existem no território brasileiro ainda não possuem ampla representatividade na sociedade; os cidadãos não possuem contato, muito menos, entendimento a respeito dos principais problemas que enfrentam, o que gera certo distanciamento da realidade do outro e não compreensão do mesmo. Desse modo, pode-se vincular o pensamento do escritor Eça de Queirós, em que sem uma identidade de ideias, costumes e culturas não é possível ter uma ligação entre as pessoas e, assim, um não pode perceber as questões do outro. Nesse sentido, faz-se necessário a dissolução dessa conjuntura para que a cultura e o bem-estar dessa parcela da população ganhe realce.
É evidente, portanto, que medidas são necessárias para dirimir a temática. A priori, é fundamental que a partir da composição tripartite - governo, FUNAI e entidades privadas - haja a efetivação das demarcação de terras indígenas, por meio da amplificação dos estudos e melhor manejo dos dados disponibilizados pela FUNAI; ainda, torna-se fundamental ampla fiscalização de tais territórios, para que a população indígena tenha suas terras asseguradas por lei e os conflitos sejam atenuados. Além disso, é importante que a mídia realize campanhas e mais programas com a aparição de tribos indígenas, para promover a cultura e a diversidade de costumes e ideias e, consequentemente, unir a população a causa indígenas, assim como aspirava José de Alencar.