A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 27/07/2019
A história do Brasil a partir da visão ocidental iniciou-se com a chegada dos portugueses e concomitantemente com o genocídio dos povos indígenas, que sofreram com doenças, escravidão, aculturação e mortes. No brasil contemporâneo a realidade não dista desse contexto de problemas e dificuldades. Sob essa perspectiva, é evidente, que a problemática da questão indígena é agravada pelo descaso sócio-histórico e pelo sistema que prega o lucro exacerbado.
Em um primeiro plano, há um gradual descaso com a identidade e com a história brasileira. Destarte, o massacre não é apenas de vidas, mas também de uma riqueza cultural de extrema importância para o que se denomina hoje Brasil, uma vez que os indígenas são os nativos e protetores desta biodiversa terra. Dessa forma, negligenciar a questão indígena é ignorar a história e manter o “status quo” de um país ignorante, egocêntrico e inerte.
Paralelo a isso, ressalta-se que o Estatuto do Índio e a Constituição de 1988 reconhecem os povos originários e seus direitos de proteção e demarcação. No entanto, o dito anterior não se aplica a realidade, visto que no panorama atual há o conflito entre índios e representantes do agronegócio que visam apenas a expansão, a posse e o lucro, o que é expressado pelos 1071 registros de assassinatos de povos indígenas, segundo dados do relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil de 2017. Em suma, demonstra-se que o extermínio iniciado no ano de 1500 perdura, baseado nos interesses e na crueldade.
Em virtude dos fatos supracitados, portanto, mostra-se a necessidade de medidas intervencionistas para este impasse de ordem político-social. Para tanto, o Ministério da Educação deve promover aulas que abordem o papel do índio na história do Brasil, com especialistas e viventes da situação, para promover o devido reconhecimento e a discussão desde a infância. Somado a isso, o Ministério Público e a Fundação Nacional do Índio são responsáveis por acelerar os processos de demarcação de terras indígenas, como dita a lei, além de garantir a segurança e a preservação étnica desses povos, a fim de atenuar o aniquilamento. Somente assim, o Brasil respeitará devidamente seu povo e sua história.