A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 10/08/2019
Durante o Romantismo do Brasil, a figura do índio foi idealizada-era taxado de forte, guerreiro e rico culturalmente- a fim de trazer um sentimento de amor à pátria para um Brasil recém-independente. No mundo hodierno, tais características viraram ironia perto da visão que a sociedade brasileira tem sobre os índios: preguiçosos, hostis e vagabundos-pensamento de expressivo preconceito e alienação. Diante de tal ponto de vista, é notória a necessidade de combater os preconceitos vivenciados por esses grupos e, também, garantir que os índios tenham o que é seu por direito: respeito pela cultura e suas extensões territoriais.
Primordialmente, é explícita a aculturação sofrida pelos aborígenes. Tal ação teve origem na colonização do Brasil-por causa do genocídio vivido pelas tribos indígenas, e também pela imposição de uma cultura nova. Sendo assim, os índios sofreram grande perda de valores primitivos e, hoje, àqueles que tentam socializar, sentem-se marginalizados de qualquer forma; um povo sem cultura, sem identidade. Exemplo disso, é o relato de Navi Pillay, alta comissária da Organização das Nações Unidas(ONU), citando a extrema pobreza e marginalização dos índios brasileiros. Consequentemente, esse cenário de exclusão e a mendicidade, além de fazer com que alguns índios sofram de subnutrição e necessitem de atendimentos no serviço público de saúde, gerando caos num sistema já frágil, também irá resultar numa estagnação política e social do país, que continuará atrasado no desenvolvimento.
Além disso, há o fato do território indígena ser constantemente invadido. Isto deixa evidente o desrespeito com os direitos dessa parcela da população, causada pela ineficácia da Fundação Nacional do índio (FUNAI) em promover e proteger seus direitos garantidos pelo artigo 231 da constituição de 1988. Tal fato resulta em empresas que buscam explorar essas propriedades-como de agropecuária, madeireiras e mineradoras-acharem brechas para invadi-las, gerando conflitos entre estes e os aborígenes. Exemplo disso, foi o assassinato do cacique Jorginho Guajajara, o qual tinha entrado em confronto com uma máfia madeireira em prol de proteger a sua terra e a de outras tribos.
Por conseguinte, é vista a necessidade de proteger os índios contra à invasão territorial. Para isso, é preciso que a FUNAI realize um mapeamento da área atual ocupada pelas tribos, visando a delimitação do território indígena e, simultaneamente, invista em proteção, como câmeras de segurança vigiadas diariamente no contorno do território, a fim de ter provas contra os assaltantes, os quais serão indiciados por invasão de propriedade privada e, assim, julgados perante a lei, impedindo que haja mais mortes de inocentes e que os índios possam, finalmente, usufruir de suas terras.