A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 13/08/2019

No primeiro período da geração romântica brasileira, mais conhecia como indianista, os autores exaltavam os heróis nacionais da terra, os indígenas. Entretanto, fora da literatura, o Brasil contemporâneo enfrenta vários impasses em relação as questões dos nativos. Tal problemática é agravada devido à manutenção de uma visão colonizadora, negando os direitos básicos dessa população, e pela generalização dessa cultura agravando, assim, seu processo de marginalização.

A princípio, é fundamental ressaltar as chagas históricas presentes na sociedade atual. Desde o período da colonização brasileira os direitos dos povos indígenas vêm se tornando cada vez mais restritos. Hodiernamente, esse aspecto se concretiza através das lutas pelas posses de terras, a qual deveria ser garantida mediante à Constituição de 1988. Com isso, entra em conflito a necessidade de um local para a sobrevivência de uma cultura e o desejo predatório de grandes empresas que, unicamente, visam o lucro. Por conseguinte, é imperioso que o Estado crie leis que especifiquem os territórios indígenas, garantindo a essa população uma maior segurança.

Ademais, para além das falhas governamentais, é imprescindível analisar a folclorização da cultura indígena como um dos agravantes de sua marginalização. Nesse prisma, as escolas que têm o importante papel na formação de um ser social, transmitem muito pouco para os seus alunos sobre a cultura autóctone, a restringindo apenas a adereços alegóricos e ao processo de colonização, passando uma imagem de um povo antiquado e marginalizado. Dessa forma, contrariando a concepção de educação da escritora Helen Keller, a qual deveria promover a tolerância, e não a coerção de uma cultura.

Infere-se, portanto, que a população indígena brasileira enfrenta vários problemas sociais, sendo necessário, assim, uma intervenção. Consequentemente, urge que o Governo Federal garanta o mapeamento, a demarcação e a fiscalização das terras indígenas, por meio do aumento de verbas destinadas a FUNAI, para que assim essa parcela tenha sua terra garantida, amenizando os conflitos territoriais. Concomitantemente, é necessário que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) implante na matriz curricular do ensino fundamental, uma matéria que valorize a cultura autóctone, com isso ampliando a percepção social acerca desse povo, inviabilizando a sua folclorização e marginalização. Só assim, o Brasil voltará a respeitar os direitos dos nativos e quebrará com as raízes históricas da visão colonizadora, da mesma maneira que os escritores românticos fizeram.