A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 15/08/2019

País do passado

Escambo, canibalismo e arco e flecha são elementos que fazem parte do ideário brasileiro sobre os nativos. De fato, a visão acerca dos povos indígenas é pejorativa e deturpada, o que implica preconceitos cujas raízes foram construídas e sentidas diacronicamente. Estas, mantidas ainda hoje, impedem que o Brasil avance, tornando-se o país do futuro, tal como previa Zweig e a própria Constituição Cidadã, promulgada em 1988.

Há mais de 500 anos, após o descobrimento do Brasil, Pero Vaz de Caminha escrevia relatos sobre os que habitavam as “terras desconhecidas”. Suas descrições foram feitas mediante um prisma eurocêntrico, sob o qual a cultura indígena foi relativizada e inferiorizada. Por conseguinte, a história e o conhecimento brasileiro foram fincados a partir de bases europeias, o que faz com que hoje o espaço para práticas indígenas, como a fitoterapia, seja bastante limitado dentro da sociedade.

Somado a isso, os anseios capitalistas dificultam a existência de processos de resiliência que, no caso dos povos tradicionais, baseiam-se na relação econômica e afetiva com a terra - comunitarismo tribal. Dessa forma, construções, como a da Hidrelétrica de Belo Monte, que exigem desapropriação, constituem-se como empecilhos ao auto-reconhecimento e identificação. Isso, a longo prazo, pode comprometer a manutenção cultural e, concomitantemente, as garantias legais de proteção à natureza e às comunidades que dela cuidam e sobrevivem. Assim, os índios passam a viver diariamente o genocídio iniciado em 1500.

A questão indígena no Brasil é, em suma, pauta emergencial para promoção da cidadania e da coesão social estudada por Durkheim. Desse modo, faz-se necessário que o MEC, em parceria com a FUNAI, desenvolva o programa “ResistÍndio”. Este, por sua vez, obrigará todas as escolas com mais de 500 alunos a abordarem a temática indígena, semestralmente, com exposições, feiras, apresentações ou visitas técnicas. Enfim, esperar-se-á que as próximas gerações consigam promover a cicatrização dessa chaga para que, através do respeito, a previsão de Zweig seja concretizada.