A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 20/08/2019

Desde o século XV, com a chegada dos portugueses e ínicio do colonialismo, os povos nativos que habitavam terras brasileiras, foram inferiorizados e submetidos à catequização e escravização. Ainda no século XXI, engana-se quem pensa não ter herdado, esse olhar de superioridade e preconceito. É perceptível o descaso com os povos indígenas, uma vez que estão despidos de voz e terras, no Brasil contemporâneo.

Quase 500 anos após a colonização, a cultura indígena ainda é considerada selvagem aos olhos da civilização, sendo excluída da sociedade. Essa exclusão é claramente demonstrada, na obra “Triste fim de Policarpo Quaresma” do escritor Lima Barreto, que retrata a luta de um homem, para declarar o Tupi-Guaraní como língua oficial do Brasil, mas é visto como louco. Diante disto, pode-se analisar o fato de o português ser considerado a língua oficial brasileira, enquanto há línguas nativas ricas, que foram e continuam sendo esquecidas e extintas.

Contudo, a questão cultural não é o único problema, uma vez que os índios continuam lutando, pelo direito de habitarem terras que originalmente lhes pertecem. Em 2019, a importante demarcação de terras indígenas, deixou de ser responsabilidade da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e destinou-se ao Ministério da Agricultura. Fato esse, extremamente preocupante, já que o agronegócio é o principal responsável pela extorsão dessas terras, ocasionando a expulsão e uma constante violênca contra os  índios que ali viviam, e que também preservavam a biodiversidade local.

Levando em conta os fatos mencionados, não se pode mais sustentar essa negligência, de terra, voz e identidade aos povos indígenas. É urgente, que a sociedade abra os olhos e enxergue, que foram eles os primeiros à habitarem e cultivarem as terras brasileiras. Outrossim, o Governo Federal precisa garantir a dignidade dessas pessoas, como prescreve o Artigo 5º da Constiuição Federal, impedindo através de leis e multas, a expansão inadequada da agropecuária e violência contra a população nativa. Para que desta forma, ONG’s como a FUNAI tenham mais facilidade, em conservar e difundir a cultura indígena. Saudando assim, uma dívida colonialista e comemorando não só 19 de abril, mas todos os dias, o Dia do Índio.