A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 29/08/2019

A obra “Macunaíma”, criada pelo escritor Mario de Andrade -pertencente a primeira geração do Modernismo-  retrata o subjugamento e o preconceito com a cultura indígena e sua importância para a identidade brasileira ao categorizar o personagem indígena como “O herói sem nenhum caráter”.Entretanto, na hodiernidade, a inferiorização dos nativos mantém-se presente no Brasil, uma vez que é sustentada devido à imposição de ideias civilizatórias e o descaso governamental. Com efeito, evidencia-se a necessidade de equacionar o problema social.

A priori, é imperioso destacar o etnocentrismo e a desvalorização dos costumes indígenas historicamente. Isso porque desde o Período Colonial, a comunidade indígena é alvo de genocídio, catequização pelos jesuítas e perda de terras por parte do agronegócio. Dessa forma, preocupantemente, mostra-se que a cultura branca e a demarcação de terras dos nativos devido à busca incessante dos latifundiários em obter lucro, são os principais problemas enfrentados pelos indígenas. Então, vale discutir a participação de imposições culturais e de interesses econômicos no impasse, os quais afetam a preservação de costumes e do patrimônio histórico e cultural.

Nesse contexto, é imperativo pontuar que a problemática deriva ainda da baixa atuação governamental e da insuficiência de políticas públicas eficazes. Sob tal ótica, o sociólogo Polonês Zygmunt Bauman criou o conceito de “Instituição Zumbi”, no qual declara que algumas instituições deixaram de exercer sua função, incluindo o Estado. Por conseguinte, apesar da Constituição de 1988 garantir o direito originário à terra aos povos indígenas, nota-se o descumprimento e a inobservância legislativa com essa parcela da sociedade brasileira.

Destarte, para que os ameríndios consigam o pleno acesso aos direitos. O Ministério da Educação e Cultura (MEC) deve investir em campanhas midiáticas para expor as consequências do agronegócio e a perda das terras indígenas, por meio de verbas governamentais, a fim de preservar a biodiversidade e a cultura dos nativos. Além disso, é vital que a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) amplie a fiscalização nas áreas de demarcações territoriais, com o intuito de diminuir a tomada de terras. Somente assim, será possível mudar o quadro atual e desmistificar a imagem dos povos indígenas como em Macunaíma.