A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 27/08/2019
Na obra “Macunaíma”, do autor modernista Mário de Andrade, há uma representação do indígena como preguiçoso e sem caráter. Essa visão pode parecer inofensiva, mas ela impulsionou diversos conflitos na história e ainda persiste na concepção da sociedade brasileira. Com isso, a questão indígena no Brasil contemporâneo se agrava cada vez mais, resultado da falta de respeito pela demarcação das terras indígenas e da degradação das riquezas naturais do país. Sendo assim, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.
A princípio, nota-se a ideia estereotipada desse povo como principal estimulante para os ataques que esses recebem. De acordo com a professora Célia Xakriabá, muitos falam dos povos indígenas como se fosse um povo morto, do passado e não dão a real relevância para o fato de que a demarcação de suas terras é uma forma de tentar cobrir uma dívida histórica e não um privilégio. Em consequência disso, segundo o Conselho Indigenista Missionário, pelo menos seis terras indígenas sofreram com invasões, só no início de 2019, o que reafirma a urgência de colocar-se em pauta essa problemática.
Ademais, salienta-se outro efeito desses preconceitos: a destruição do meio ambiente e da sua biodiversidade. Para manterem seus saberes e seus costumes, que tem suporte em seus territórios, os indígenas lutam pela preservação da natureza. Contudo, as empresas mineradoras e agroexportadoras invadem-nas constantemente, o que faz com que diversas espécies sejam mortas e o equilíbrio natural seja comprometido. Com isso, inúmeras vidas humanas também são perdidas nessa resistência, como a do pajé da aldeia Waiãpi recentemente, segundo a FUNAI.
Logo, infere-se que medidas são necessárias para resolver esse problema, no qual o Ministério da Educação e o Ministério do Meio Ambiente devem trabalhar em conjunto. Ao primeiro, cabe propor ao currículo escolar, por meio das matérias de sociologia e filosofia, incentivar os jovens sobre a valorização das vidas, da natureza e propagar a real posição dos indígenas no país. Ao segundo, cabe criar medidas de responsabilidade ambiental, como uma maior fiscalização dessas demarcações, que irá poupar essa parte da população de invasões. Com ambos em atuação, o Brasil poderá conservar sua grande diversidade e permitir que vidas sejam poupadas, em virtude da construção de uma sociedade ambientalmente mais humanitária e culturalmente mais sensata.