A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 02/09/2019
A Constituição Federal de 1988 garante a todos cidadãos brasileiros o direito à vida, à saúde, à educação e à segurança. Além disso, garante o respeito aos povos indígenas preservando suas terras. Contudo, milhões de índios tem esses direitos negligenciados, sofrendo violência física ou psicológica, sem acesso as escolas ou hospitais. Ou seja, vivem em pleno século XXI completamente isolados, tratados como “selvagens”. Tal visão principia desde a colonização. Segundo Pero Vaz de Caminha em sua carta a Portugal, os povos nativos eram sem cultura, que andavam nu sem suas vergonhas necessitando serem ensinados/catequizados. Esse ponto de vista etnocêntrico e preconceituoso perdura nos dias atuais sendo considerado normal, e as escolas se omitem no papel de educar as crianças e jovens sobre a importância dos povos indígenas para a cultura nacional.
Em primeira instância, é dever da escola ensinar sobre a importância da cultura indígena para a formação da identidade nacional. Entretanto, estes não são lembrados. O cenário histórico retratado em sala de aula é apenas uma visão europeizada e os “índios”, termo dado pelos colonizadores, tem sua cultura subjugada. Uma vez que o nativo é visto como um homem nu que vive no mato, não sabendo ler ou escrever. Estes são lembrados somente no “Dia do Índio”, onde os alunos pintam o rosto e usam um coca na cabeça simbolizando o índio. Porém, essa interpretação distorcida deve ser quebrada. Segundo o filósofo grego Epicteto, somente a educação liberta. Dessa forma, somente a educação tem o papel de quebrar a ignorância e o preconceito enraizado por séculos em nossa sociedade.
Outrossim, os nativos sempre foram tratados com inferioridade, e tal ponto de vista permeia gerações sendo considerado normal. A socióloga Hannah Arendt em seu conceito “Banalidade do Mal”, diz que quando uma atitude ocorre frequentemente, esta é vista como normal. Tal conceito se aplica ao preconceito estrutural enfrentado pelos povos indígenas, pois estes são cotidianamente menosprezados, sendo considerado como uma raça inferior e sem cultura, e tais atitudes são vistas como habitual.
Portanto, é necessário reverter tal situação. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação implemente nas escolas o ensino obrigatório sobre a cultura indígena por meio da introdução da disciplina “Povos Nativos e sua Influência para a Identidade Nacional”, aplicada do ensino básico ao ensino médio, para que as crianças e jovens conheçam o outro lado da história que por anos vem sendo negligenciados, e gerem um senso crítico sobre a importância destes para a cultura nacional. Dessa forma, geraremos uma sociedade crítica, e o preconceito contra os povos nativos se tornará uma mazela passada da história brasileira.