A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 07/09/2019
No romance de José de Alencar, Iracema, no qual relata sobre uma índia que representa os nativos que viviam no Brasil antes da chegada dos colonizadores e tem uma paixão proibida com Martim, um aventureiro português. Juntos, eles têm um filho chamado Moacir, que representa a gênese do povo brasileiro. A obra pretende tecer uma construção de identidade nacional e, ao mesmo tempo, racial. Entretanto, a saber que os povos indígenas, estão, uma vez despidos de voz e terra, continuam, dia após dia, sendo dizimados.
Haja visto que em 2018, segundo dados do O Globo, cerca de 2 mil indígenas fizeram uma manifestação na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em reivindicação pela demarcação de terras. O protesto fazia parte da semana de mobilização indígena, que pretendia chamar a atenção do governo e autoridades, para questões sensíveis a comunidade. Para o índio, a terra onde ele mora é mais do que simplesmente um meio de subsistência ou recurso natural. Ela, de fato, representa um recurso sociocultural, sendo necessária para o suporte da sua cultura e modo de vida. É por esse motivo que a Constituição Federal, no artigo 231, coloca tais reservas como Bens da União, ou seja, essas terras são inalienáveis e intransferíveis, além de serem de uso exclusivo dessa etnia.
Além disso, assim como na obra Iracema, em que Moacir vai para Europa para aprender os costumes, historicamente, quanto maior a convivência desses povos com os brancos, mais o risco de perder as tradições. Hoje em dia, a preservação da cultura dos nativos, é um dos principais desafios, já que essas áreas de preservação ambiental são exploradas ilegalmente. Qualquer exploração e aproveitamento de recursos hídricos e riquezas minerais, só podem ser feitos com autorização do Estado. Mas é comum que nessas terras sejam exploradas ilegalmente.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Desse modo, é necessária uma ação do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Funai, dar destaque aos movimentos sociais e à intensa luta dessa etnia por seus direitos, em que o governo deve interferir de maneira positiva para equilibrar os danos causados por ambas as partes, buscando sempre o bem-estar coletivo. E, assim, como no intuito da obra de José de Alencar e tecer na sociedade a identidade nacional.