A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 13/09/2019
Em 1500, Pero Vaz de Caminha registrou numa carta suas impressões sobre a terra que depois viria a ser chamada de Brasil. No documento, é descrito um povo que, sob os olhares europeus de soberania, precisava ser civilizado: os índios. Desde então, os indígenas sofrem com a imposição da ideia civilizatória ainda presente na sociedade. Nesse viés, é importante perceber que a segregação sofrida por esses povos tem raízes históricas, mas agravou-se diante do avanço do capitalismo.
Em primeiro plano, é mister salientar que, durante o período de colonização das terras tupiniquins, os europeus tentaram impor sua cultura aos indígenas, quer seja em relação às vestimentas ou à religião. Tais fatos são exemplificados no célebre poema de Oswald Andrade, “Erro de Português” e nas cartas escritas pelo Padre José de Anchieta, que versam sobre o processo de doutrinação pedagógico-religiosa, imposta pelos jesuítas. Desse modo, nota-se que, desde os primórdios, esses povos foram considerados inferiores e subjugados pelo homem branco, em detrimento de seus interesses.
Hodiernamente, o preconceito sofrido durante a colonização ainda se mantém vivo no âmbito brasileiro. Exemplo disso é a PEC343, uma proposta de emenda à Constituição, criada em 2017, que induz os povos indígenas a adotarem padrões produtivos, em parcerias com empresas, para explorar a terra, por meio da agricultura e da pecuária, e integrar-se a sociedade. Contudo, tal proposta ataca os modos de vida e subsistência dos nativos, haja vista que, segundo o Jornal Gazeta do povo, ela só alinha os interesses da bancada ruralista e dos próprios empresários que almejam lucrar com essas terras. Dessa forma, a cultura e o modo de vida dos índios são desvalorizados, gradualmente, e estes perdem, aos poucos, suas riquezas.
Portanto, para que os indígenas não mais sofram com os preconceituosos moldes sociais, é necessário educar a população em relação aos direitos desses povos. Para isso, o Ministério da Educação deve introduzir a história indígena na Base Nacional Comum Curricular, para que as escolas trabalhem mais a fundo o tema, não só no dia 19 de abril, mas durante toda a trajetória escolar. Isso deve ser feito por meio de atividades lúdicas, documentários, palestras e debates que evidenciem a importância do índio para a construção da história e exponham a trajetória sofrida por eles - desde o processo civilizatório brasileiro até o período contemporâneo -, no intuito de conscientizar crianças e jovens sobre o real legado desses povos. Somente assim, repensando o estereótipo de soberania do cidadão urbano, será possível fazer o caminho inverso do que foi trilhado no passado e garantir a preservação dos heróis românticos brasileiros.