A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 04/10/2019
Durante o período literário do romantismo foi criada uma imagem do indígena, como “Bom Selvagem”, com sendo um único povo dócil e ingenuo. Tal esterótipo não teve capacidade de abarcar a complexidade da estrutura sociocultural dos nativos, contudo, foi suficiente para tornar a realidade destes mais árdua. Dentre as principais questões indígenas em debate no Brasil atual estão: a luta pelo preservação de sua produção cultural e os embates para proteção de seu território.
Em primeira análise, está a sobrevivência da cultura desses diversos povos nativos, uma vez que a sociedade atual acaba por impôr pressões que podem levar ao extermínio de seus saberes. Essa conjuntura, é devida a cultura de massa, visando altos lucros, que produz em larga escala e com renovação sistêmica de conteúdos (livros, músicas,danças) para consumo da população de maneira uniforme. Assim, como o conhecimento dos comunidades autóctones em sua maioria é transmitido oralmente, a cada geração fica mais difícil preservá-lo frente ao produto industrial, o qual passa a ocupar seu espaço devido a comodidade de acesso e uso. Consequentemente, aquelas etnias com poucas pessoas ficam expostas ao risco de desaparecer e, com isso, a história da identidade do povo brasileiro é lesada.
Em segunda análise, a luta pelo direito a suas terras é uma questão de suma importância, uma vez que os conflitos são constantes pela posse do local. As reservas indígenas, em grande parte, são territórios de solo fértil ou com riquezas minerais não exploradas por eles, o que motiva agricultores, garimpeiros, posseiros dentre outros a tentarem a sorte de fazer fortuna, contanto que consiga expulsar os indígenas. Esses contraventores, recorrem a violência patrimonial e física para alcançarem os seus desejos. Tal cenário afirma o conceito do pesador Zigmund Bauman de que o capitalismo atua como um parasita, o qual para se manter forte não se limita a nenhum juízo moral, desde que alcance lucros, no caso obter as áreas das reversas para enriquecer por meio da violência.
Em prol de auxiliar na preservação da identidade dos povos originais, o Ministério Educação e Cultura deve conciliar na transcrição dos saberes ancestrais para formatos fáceis para acesso com a passagem tradicional as novas gerações. Logo, o órgão pode criar uma parceria com a inciativa privada, em troca de isenções fiscais, para a produção de conteúdos baseados no conhecimento dos indígenas, como livros e acervos gravados. Junto a isso, utilizar dessas produções para auxiliar na passagem das tradições para as gerações mais novas de modo facilitado e com poucas perdas. Como resultado, a preservação da cultura dos povos nativos será garantida pela possibilidade ampliada de aprendizado e sua conservação de modo material.