A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 04/10/2019
Na obra “O Que Há de Errado Com o Mundo”, o filósofo e escritor inglês G.K. Chesterton traduz a ideia de que para que um problema seja solucionado, urge-se conhecer as causas das coisas. Sob esse viés, é válido analisar a questão indígena no Brasil contemporâneo, a fim de diagnosticar e tratar dos reveses provocados pela marginalização da cultura indígena, além da falta de acessibilidade que os índios ainda enfrentam na sociedade.
Deve-se pontuar, de início, que a população indígena compõe a base da História do Brasil, pois foram os primeiros a habitá-lo. Estiveram presentes desde a chegada dos portugueses, bem como durante todo o período de colonização, no entanto, ao longo de todo processo de desenvolvimento do país, a cultura indígena foi violentada e colocada à prova. Um exemplo disso foi a rejeição às tradições indígenas e sobreposição, por parte dos colonizadores, da cultura europeia em detrimento dos rituais e expressões dos índios. Nos dias de hoje, tratar os povos indígenas de maneira caricaturada ou como meros figurantes da nação, como se pode ver nos eventos carnavalescos, é também um ataque aos valores e tradições àqueles que tanto contribuíram e contribuem para formação social e identitária brasileira.
Paralelo a isso, a falta de recursos destinados à sociedade indígena é um fator que corrobora para a ratificação do esquecimento desses povos no Brasil. De acordo com o IBGE, o número de indíos que moram em centros urbanos aumenta a cada ano, em pesquisa realizada em 2010, cerca de 36% da população indígena vive em áreas urbanas em busca de melhores condições de vida. Logo, infere-se que os outros 64% que vivem em regiões mais isoladas não possuem os direitos básicos garantidos, uma vez que é precário o serviço prestado pelo Estado nas regiões periféricas e nos interiores do país, fato que os torna reféns da ausência de políticas públicas.
Em suma, a questão indígena no Brasil contemporâneo é um complexo desafio que precisa ser combatido. Dessarte, as instituições escolares - responsáveis por estimular o pensamento crítico na população - devem buscar fortalecer a disseminação histórico-cultural nos jovens. Isso pode ser feito por meio de palestras, aulas e distribuição de materiais didáticos de história, filosofia criticista e sociologia, visando aproximar os alunos cada vez mais da cultura indianista. Em paralelo, o Governo deve dispor de mais recursos para essa parte da população. Tal ação é viável por intermédio dos líderes das tribos, por exemplo, objetivando a proteção e perpetuação das tradições, além de garantir os direitos básicos desses cidadãos, genuinamente, brasileiros. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, a vulnerabilidade indígena perceptível atualmente.