A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 14/10/2019

A carta de Pero Vaz de Caminha, escrita em 1500, descrevia sobre a presença de um povo que, sob a ótica eurocêntrica precisava ser civilizado: os índios. Ainda hoje, esse grupo social marginalizado sofre resquícios de um pensamento colonizador, uma vez que o indígena não somente é desrespeitado, como também tem seus direitos de existência violados, devido ao desconhecimento do povo brasileiro de seu próprio passado e o descaso por parte do Governo.

Em primeiro lugar, o reflexo histórico contribuiu para que os índios perdessem seu espaço e fossem subjugados pela sociedade. Somente em 1910, com a iniciativa do engenheiro Marechal Rondon, tornou-se possível a preservação da cultura e demarcação de terras indígenas, através da criação do programa de proteção ao Índio, a fim de diminuir o abandono social e político desse grupo. Entretanto, esse reconhecimento tardio, fez com que o pensamento colonizador excludente fosse ainda visto na atualidade. De acordo com a organização britânica Global Witness, em 2017, o Brasil teve 57 assassinatos a indígenas, ambientalistas e ativistas. A grande maioria das vítimas lutavam pela proteção e conservação da Amazônia.

Além disso, a luta pelo território tornou-se um problema cultivado pelas relações de poder, pois segundo Jair Bolsonaro, enquanto ele for presidente, não haverá demarcação de terras indígenas. Como consequência dessa postura do representante do país, o agronegócio ganha força e a carta branca para agir sem se preocupar com as questões sociais e ambientais. Assim fazendeiros, com o objetivo de obterem ainda mais lucros, expandem as suas fronteiras agrícolas a regiões destinadas aos índios, o que resulta em conflitos violentos e na perda do território indígena. No entanto tal fato contraria os Direitos Constitucionais, que garantem a posse dos índios sobre as terras tradicionalmente ocupadas e evidencia que os interesses da bancada ruralista, por vezes, se sobrepõem aos direitos de proteção das tribos indígenas.

A valorização do nativo é, portanto, imprescindível para alterar o cenário vigente. Para reverter os pré-conceitos sobre os nativos, a Escola faz-se importante na formação social do indivíduo, por isso, aulas de sociologia e história são fundamentais para promover o debate e aguçar a visão crítica nos jovens. Ademais, a mídia, fazendo uso de seu impacto persuasivo pode trabalhar com campanhas de conscientização, em parceria com a FUNAI, a fim de trazer conhecimento e informação ao público. Com o intuito de assegurar a proteção às terras, é dever do Supremo Tribunal Federal fazer valer a Constituição, já que o poder Executivo está indo na contramão. Quem sabe no Brasil do futuro, as pessoas vão eleger candidatos que respeitem e valorizem a história desse povo.