A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 23/10/2019

O personagem Brás Cubas, diz em suas “Memórias Póstumas”, livro de Machado de Assis, que não teve filhos e não transmitiu a ninguém o legado da nossa miséria. Entretanto, apesar de tratar de uma ficção, o livro parece refletir, em parte, a realidade do século XXI no Brasil, uma vez que os índios são despidos de voz e terra e continuam, dia após dia, sendo dizimados. Nesse contexto, esse cenário contribue para a análise dos obstáculos para garantir os direitos aos indígenas, a qual é resultado da consonância de um governo inobservante á Carta Magna de 1988 e uma sociedade com uma lenta mudança na mentalidade social.

Em primeiro plano, a herança deixada pelos portugueses contribuiu para que os índios perdessem seu espaço. Em virtude disso, mesmo no século XXI, o Brasil ainda pensa como os portugueses do século XVI, quando subjugamos a cultura indígena, colocando-a em segundo lugar na participação social. Isso é perceptível quando classificamos o português como língua oficial, enquanto as deles são dialetos. Nesse sentido, faz-se imprescindível a dissolução dessa conjuntura.

Outrossim, convém ressaltar, que os índios ainda têm que lutar pela sua terra, visto que a expansão da atividade comercial – sobretudo da agricultura e pecuária, vem tomando as terras indígenas. Tal fato vai de encontro á Constituição Federal, que garante a posse de terras aos índios já tradicionalmente ocupadas e os interesses da bancada ruralista se sobrepõem aos direitos de proteção das terras indígenas.

Fica evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas a fim de resolver a problemática em questão. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve treinar profissionais para ministrar palestras aos discentes e suas famílias, abordando temas relacionados a cultura indígena e a variação linguística. Ademais, o Governo, em parceria com a FUNAI, deve intensificar a demarcação das áreas destinadas aos índios, verificando irregularidades e punindo adequadamente os infratores. Assim, talvez, os índios ganharão o seu espaço e deixaremos de lado a herança deixada pelos portugueses no século XVI.