A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 16/12/2019

Em 1988, a população indígena teve seus direitos erguidos ao patamar de garantia fundamental, pelo art. 231 da nova Constituição da República. Depois de um ato de tamanha relevância, era de se esperar que as condições desse grupo de brasileiros viesse finalmente a melhorar. Todavia, a ignorância e a ganância garantem a persistência de um já antigo processo de extermínio da cultura e população autóctone.

Inicialmente, verifica-se que a causa para esse fenómeno reside na nociva combinação entre desconhecimento acerca da riquíssima comunhão de diferentes culturas, à qual faz-se referência, de maneira genérica, como indígenas, e a torpe moralidade promovida pelos grandes impérios agropecuários.  É preciso compreender que essa ignorância não trata-se de mero infortúnio, mas, sim, do resultado de um longo processo de aculturação, iniciado pelos jesuítas há séculos atrás, e sustentado por adeptos de correntes ideológicas etnocentrícas até os dias de hoje. Nessa linha, a manutenção de uma visão, claramente xenófoba, dos índios como seres inferiores, primitivos, vai ao encontro de interesse dos gigantes do agro-negócio, a perspectiva de obtenção de lucro cada vez mais exorbitantes, atraí-os para as riquezas materiais dos territórios aborígenes.

Consequentemente, o que ocorre é um processo que vai da perda irreparável de parte inestimável da cultura brasileira, até a disseminação de casos de violência xenófoba contra representantes dessa população. As últimas décadas foram marcadas pela destruição das condições de subsistência de comunidades inteiras, cuja única alternativa foi adaptar-se à cultura “mainstream” ou perecer. Apenas em 2018, a plataforma desenvolvida pelo Conselho Indigenista Missionário registrou 109 casos de invasão possessória, exploração ilegal de recursos  e danos diversos ao património". Além disso, deve-se destacar que esse processo de destruição cultural costuma vir acompanhado pela devastação do meio ambiente, a fim de que as terras sirvam para o cultivo de produtos agropecuários. Absolutamente obstusa, essa pratica não se justifica nem mesmo pela mais ignóbil retórica maquiavélica, na medida em que os ganhos obtidos por esse meio logo transformam-se em prejuízos, diante das diversas sanções internacionais direcionadas contra alimentos produzidos de maneira irresponsável.

Em conclusão, é evidente a necessidade de mudar-se efetivamente o atual paradigma indígena. Para tanto, é imperativo que promova-se o contato entre os jovens brasileiros e seus compatriotas indígenas, por meio da promoção de palestras ministradas por representantes das comunidades e de visitas de campo, as escolas de nível médio e fundamental promoverão o essencial desenvolvimento da necessária empatia e afinidade com os habitantes originais do Brasil.