A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 05/04/2020

Desde a colonização XVI e XVII, o índio foi inferiorizado pela cultura europeia dominante, e forçado a assimilar valores que se impunham aos seus. Dessa maneira, ele foi ignorado pela sociedade que os via como um retrocesso sociocultural, além de ser considerado uma questão de tempo para a efetivação de seu desaparecimento. No entanto, a realidade do Brasil hodierno corrobora o contrário, a população indígena vem crescendo de forma gradual em relação a outros grupos, porém ainda enfrenta desafios no que tange a sua sobrevivência, seja pela lenta mudança de mentalidade social, seja pela falta de representatividade política no país.

Em seu livro “o Guarani”, José de Alencar expõe o índio brasileiro com o personagem “Peri”, que abandona sua tribo, em nome da amada Ceci, filha de um português nobre. Com isso, o autor quis mostrar uma crítica relacionada a mudança comportamental do índio pela imposição da cultura branca e do cristianismo, que doma o “selvagem”. Essa concepção ainda está intrinsicamente ligada a alienação da maioria dos brasileiros no que concerne a estereotipagem do nativo, que é considerado “preguiçoso” e “sem educação”. O que abre espaços para a formação de uma ideologia intolerante e preconceituosa ao indígenas.

Outrossim, a negligência do Estado em relação ao índio, que é um reflexo da própria formação latifundiária do país, impede que os seus direitos básicos sejam garantidos. O principal conflito existente entre ambos diz respeito à demarcação de terras, pois há uma forte presença da “bancada ruralista” no Congresso, que defende os interesses dos grandes fazendeiros e do agronegócio, e subjuga os dos nativos. Isso impulsiona um aumento da violência no campo, ocasionado pelas disputas por terras, o que amplia também a impunidade desses atos, pois dos 112 processos de homicídios relacionados a esse tipo de conflito entre 1985 e 2016, somente 31 foram julgados pela Justiça.