A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 06/04/2020
Sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. Entretanto, esses critérios que garantem a cidadania, quando aplicados à questão indígena no Brasil contemporâneo, não são completamente respeitados por parte da população, visto o descaso com a participação ativa dos índios na sociedade. Portanto, pode-se afirmar que as invasão de terras indígenas para práticas econômicas bem como a baixa valorização histórica e cultural dos habitantes são os principais agravantes de tal quadro.
Primeiramente, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o desmatamento atingiu 115 terras indígenas totalizando 42.679 hectares destruídos em 2019, 80% a mais na comparação com o ano anterior. Nesse sentido, observa-se uma crescente invasão das reservas destinadas ao povo nativo, a qual busca, por meio da exploração exacerbada dos recursos naturais, o crescimento econômico individual. Desse modo, os indígenas são submetidos à pequenas áreas para coleta e prática de suas atividades culturais. Logo, cria-se um ambiente de escassez, não somente de alimentos, mas também psicológica, uma vez que seus direitos garantidos por lei são banalizados mediante o lucro do uso da terra, transformando a questão indígena em um conflito de escala nacional.
Em segundo plano, de acordo com o sociólogo Gilberto Freyre, a população brasileira é um resultado da miscigenação de povos brancos, negros e indígenas. Assim, todas as culturas e etnias envolvidas têm atuação igualmente importantes na formação do país. No entanto, é evidente a desvalorização da cultura e da história do povo nativo, ao passo que suas manifestações étnicas apresentam pouca representatividade tanto na esfera midiática quanto na política. Consequentemente, a população brasileira não reconhece a importância democrática que a bagagem cultural de sua nação carrega, resultando em discriminação contra qualquer prática divergente aos seus costumes, como a indígena.
Com base na discussão elencada, o Ministério da Agricultura, em parceria com o Exército Brasileiro, deve fortalecer a fiscalização da demarcação de terras indígenas, com a instalação de novas bases militares, a fim de objetivando as invasões de tais áreas para a exploração e assegurar os direitos dos habitantes, mantendo o bem estar local. Além disso, o Ministério da Cidadania necessita instigar o engajamento político e midiático do povo indígena, por intermédio de campanhas publicitárias e leis que garantam destaque nacional a eles, para que aumente-se a representatividade e o prestígio cultural de tais etnias em grande escala. Assim, observar-se-ia uma população mais responsável e democrática.