A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 05/04/2020

Na histórica Carta de Pero Vaz de Caminha ao governo lusitano durante a colonização do Brasil em 1500, os autóctones foram descritos manualmente pela primeira vez, sob a ótica de soberania portuguesa. Hodiernamente, as questões voltadas ao povo indígena brasileiro e a preservação de sua identidade são de grande abrangência, porém se tornam cada dia mais desvalorizadas. Tal fato é evidenciado no território nacional devido a expansão ilegal do agronegócio e à discriminação que esses habitantes sofrem na sociedade.

Em primeiro plano, é necessário destacar que atualmente, calcula-se que apenas 800 mil índios ocupam o território brasileiro, principalmente em reservas indígenas demarcadas e protegidas pelo governo – IBGE. Analisando sob esse viés, esses territórios delimitados são de grande importância para os povos aborígenes manterem sua cultura e seus hábitos conservados, além de servirem como forma de preservar a natureza local visto que eles tendem a ter uma boa ligação com o meio ambiente. A partir disso, é notório que a expansão ilegítima da agropecuária para esses lugares tende a ser diretamente prejudicial a esses indivíduos. Uma vez que a ausência desses espaços força a evasão dos mesmos para as cidades, favorecendo o processo de perda de identidade cultural.

Também é necessário ressaltar-se o cunho social urbano da temática, já que de acordo com o IBGE, 36% da população indígena do país mora nas cidades. Nesses ambientes, os nativos sofrem constante preconceito pela sua ancestralidade, sendo taxados como tolos e incompetentes. Devido a isso, muitas vezes eles acabam não conseguindo trabalhos bem remunerados e vivem em situação precária. Assim, muitos optam por ocultar sua origem e suas práticas, utilizando desse modo a apropriação cultural como uma maneira de garantir a sobrevivência.

Com base na discussão elencada, necessita-se que a fim de mudar-se o cenário atual dessa comunidade, o Estado juntamente com a FUNAI, deve criar leis para assegurar o direito do nativo à terra e proibir que o agronegócio tome posse dela. Além disso, é primordial que com o intuito de atenuar a problemática, o Ministério da Educação, promova projetos nas escolas como rodas de conversas que estimulem o aprendizado dos alunos sobre os indígenas. Tendo-se consequentemente cidadãos mais respeitosos no futuro. Com essas medidas, poder-se-á vislumbrar um futuro melhor para todos.