A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 07/04/2020
Durante a segunda fase do Romantismo no Brasil, também conhecida como fase Indianista, no século XIX, o índio foi retratado como um herói nacional pela literatura, como por exemplo na trilogia escrita por José de Alencar: O Guarani, Iracema e Ubirajara. No entanto, sabe-se que a questão dos povos indígenas brasileiros, hodiernamente, é inadmissível. Como também, a visão de imagem primitiva e adição de diversas características negativas. Todavia, para que haja reversão do quadro, faz-se necessário analisar as causas econômicas e educacionais que contribuem para a continuidade da problemática nacional.
Deve-se destacar, primeiramente, o interesse econômico por traz de tudo isso. Acerca disso, o filosofo Zygmunt Bauman, autor do livro “Modernidade Líquida”, as pessoas tornam-se individualistas uma vez que são mutáveis em suas relações a fim de se favorecerem. Sob esse prisma, o agronegócio, que tem grande poder e é uma das principais movimentações econômicas do país, se sobrepõe acerca dos territórios indígenas, com o intuito de obterem mais lucros. Essa prática, no entanto, fomenta a violência, visto que expulsam a força os índios de seu território.
Ademais, uma análise dos métodos da educação nacional é necessária. Primeiramente, é importante pontuar que a discriminação do índio está atrelada a fatores histórico-culturais, pois, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, as estruturas sociais são incorporadas pelos indivíduos. Nesse sentido, observa-se uma insuficiência de conteúdos relativos à aproximação das pessoas com a cultura desde os primeiros anos escolares, fruto de uma educação tecnicista e pouco voltada para a formação cidadã do aluno. Dessa forma, o sistema educacional pouco estimula a conhecer a cultura da nação brasileira, e assim o estudante e demais população acaba negligenciando a imagem do índio.
Com o intuito de amenizar essa problemática, a FUNAI tem que exercer seu papel corretamente e proteger os povos indígenas e seu território, para que o agronegócio e empresas hidrelétricas não continue a tomar seu espaço. Paralelamente, o Ministério da Educação deve levar o tema às escolas públicas e privadas. Isso deve ocorrer por meio da substituição de parte da carga teórica da Base Nacional Comum Curricular por projetos interdisciplinares, se possível, passeios a comunidades indígenas das quais disponibilizarem visitas as aldeias da região perto da escola, para que se desperte a consciência do aluno pelo tema ao mesmo tempo enriquece sua identidade cultural e de como cidadão. Dessa forma, o povo brasileiro pode superar tais preconceitos e valorizar a imagem do índio como forte identidade cultural brasileira.