A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 07/04/2020

A banda Legião urbana eternizou em 1986 os seguintes versos: “Quem me dera, ao menos uma vez, ter de volta todo o ouro que entreguei a quem conseguiu me convencer que era prova de amizade”. Com isso, a banda ressalta a questão cultural e material do indígena brasileiro, que pendura até a atualidade, com a cultura tradicional indígena convivendo com a sociedade contemporânea, onde essa etnia continua sendo ameaçada das mais diversas formas, seja com o objetivo de explorar as riquezas naturais do espaço em que ela se situa, ou puramente pelo preconceito que essa cultura sofre.

Após 1990, para atender as necessidades econômicas e culturais dos povos nativos, o número de reserva cresceu de 352 para 703, aumento de 115,8 milhões de hectares segundo a Funai (2015), o que compõe uma grande parte de território, em sua maioria mata virgem, despertando o interesse de madeireiras ilegais e grandes proprietários de terra, que muitas vezes acabam negociando, ilegalmente, com os indígenas o uso das terras da reserva, muito similar ao inicio do período colonial, uma atividade que corrompe a integridade cultural indígena, comprometendo sua preservação.

Atualmente, 42% dos índios brasileiros vivem fora de terras indígenas, sendo que 36% deles estão em áreas urbanas – IBGE, demonstrando que a população indígena também convive no meio urbano como cidadãos Brasileiros. Apesar disso a sociedade taxa com naturalidade a população indígena de “primitivos”, mesmo com esses constituindo uma parte relevante da sociedade, praticando o racismo estrutural, nesta estrutura o racismo se torna algo normal, no sentido de que o racismo constitui as ações conscientes e inconscientes da sociedade, ou seja, o racismo estrutural é uma espécie de funcionamento normal da vida cotidiana.

Esses fatores tornam a situação indígena insustentável, e é preciso reverter esse quadro. Para isso o Estado Brasileiro deve aumentar a fiscalização das reservas indígenas, para garantir a integridade das mesmas, além de uma ação dos meios informacionais para promover uma imagem do indio como integrante da sociedade, e não como um povo primitivo, assim quebrando o racismo estrutural.