A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 06/04/2020

Sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. Todavia, tal proposta não é cumprida em sua essência, tendo como exemplo a questão indígena no Brasil contemporâneo, a qual denota a exclusão que o grupo aborígine sofre perante o resto dos cidadãos brasileiros. Sob essa ótica, destacam-se como problemáticas as questões históricas e territoriais que os envolve.

O processo civilizatório pelo qual passou a cultura indígena no Brasil se deu de forma intensa, fazendo com que os autóctones se tornassem submissos aos colonizadores, tendo assim sua cultura desprezada e considerada inferior e sendo obrigados a se adequar àquela trazida. Sob esse viés, tem-se como exemplo os seguintes versos da carta de Pero Vaz de Caminha, escrita em 1500: “Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas.”. Logo, foram-lhe impostos uma nova religião, uma nova língua, uma nova natureza completamente diferente daquela que estavam habituados. Ademais, ainda na contemporaneidade, diversas pessoas possuem essa visão eurocêntrica imposta no século XIV, dificultando assim a questão indígena no Brasil contemporâneo.

Somente no ano de 2017, 110 indígenas foram assassinados em território nacional, segundo informação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI). Outrossim, muitos desses óbitos possuem como causa os conflitos por terras entre nativos e representantes do agronegócio, setor que cresce cada vez mais no Brasil e é considerado uma das principais movimentações econômicas do território. Logo, fazendeiros e grandes empresas têm por objetivo expandir sua área de atuação, seja para a extração da flora nativa ou realização da agropecuária, desprezando assim os decretos impostos pela União com o objetivo de proteger essas áreas e o povo que nelas reside, resultando assim em prejuízos para a população local que, por não conseguir conter tais problemas, acaba perdendo parte de suas terras.

Com o objetivo de amenizar tal problema, o Estado deve fortalecer órgãos como à FUNAI, responsável pela proteção dos autóctones, bem com pela administração de suas terras, por meio do aumento da verba destinada a esses, a fim de que tenham maior controle e assim possam cumprir seus objetivos com mais eficiência, fazendo com que os nativos possuam maior representatividade no cenário atual brasileiro. Além disso, para reverter o quadro de preconceitos destinados aos nativos, as Escolas devem focar em aulas que envolvam o tema, explicando as dificuldades que esse grupo sofreu e ainda sofre hodiernamente, para que se construam jovens mais críticos e participativos na política, podendo assim mudar a realidade dos povos aborígenes na sociedade brasileira.