A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 07/04/2020

Na contemporaneidade, contrariando a imagem heroica do índio criada pelo romantismo no século XIX, o povo brasileiro tem introjetado em si os traços de uma cultura genocida apoiada pelos olhares de soberania europeia com relação aos povos nativos de outros continentes. Isso contribuiu para que a situação dos indígenas não pudesse ser revertida, principalmente no contexto político moderno, tornando sua luta por sobrevivência ainda maior na sociedade brasileira. Nesse âmbito, destacam-se a estereotipagem dos povos indígenas e o apagamento dos mesmos pela visão dicotômica de raças como principais problemáticas. Até o ano de 1967, o Estado adotava uma perspectiva assimilacionista, entendendo os índios como uma categoria social transitória, fadada ao desaparecimento. Nunca dando devida importância aos povos originários, tal configuração acabou contribuindo para a criação de um estereotipo fixo do indígena, mesmo com uma diversidade de tribos e linhagens em terras verde-amarelas, como se os 307 povos remanescentes coubessem em um “lugar” tão pequeno. Esse reflexo histórico fez com que os índios perdessem seu espaço, fossem subjugados pelo uso da violência e aos poucos se transformassem, aos olhos da população, apenas em uma imagem generalizada e comercial de redface. Concomitante a isso, o debate se torna mais intenso quando a questão é a composição étnica do Brasil. Evidencia-se uma histórica cultura de descaso com a população nativa, começando na época da colonização e se estendendo aos dias atuais por meio da visão binária de que o povo brasileiro é dividido em preto e branco, contribuindo para o apagamento da população indígena. Esse desinteresse pode ser visto na exclusão desses povos da luta antirracista, na sua descaracterização identitária por meio de dados demográficos presentes ou ausentes nos Relatórios Oficiais e na definição de cidadãos com ascendência indígena como brancos. Essa é, portanto, uma situação que não podemos mais sustentar. Percebe-se a necessidade de intervenção do estado e da população para que seja possível alterar o cenário da questão indígena na sociedade brasileira. Encarar os povos originários como intrusos e não como uma parte de nosso povo não pode mais ser uma prática tolerável. Para tanto, é preciso que, primeiramente, o povo lute para agregar na luta dos índios pela sobrevivência de sua cultura, dando voz a essa atual minoria e desconstruindo os estereótipos firmados, se atentando às verdadeiras origens e necessidades da mesma. Simultaneamente, cabe ao governo incluir e respeitar os dados dos povos indígenas nos Relatórios Oficiais com maior eficiência, garantindo a representatividade do povo vermelho na sociedade contemporânea. Só assim será possível eliminar os traços da cultura genocida de nossos colonizadores.