A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 24/03/2020

Os antropólogos de 1960 introduziram um novo pensamento sobre a cultura, através do conceito da dinamização da mesma, na medida em que os índios, por exemplo, podem conviver em sociedade urbana sem serem aculturados de seus costumes. Apesar disso, ainda hoje há uma enorme dicotomia no país, que tende a marginalizar os indígenas, ridicularizando a sua identidade, tanto particular, quanto brasileira. Para tanto, incógnitas como a má educação social sobre o povo autóctone do Brasil, além das poucas terras reservadas pela FUNAI ( Fundação Nacional do Índio), devem ser solucionadas.

A princípio, tem-se, no meio legislativo, a proteção de direitos civis para os indígenas, principalmente a educação, e que devem ser realizadas pelo estado e pelo município, como instituído pela Constituição Federal de 1988. No entanto, tal benefício é esquecido, não só pela parte governamental, como também por toda a sociedade. Devido a esse cenário, é necessário refletir na ideia defendida por Immanuel Kant, filósofo alemão, que o ser humano é que a educação faz dele, ou seja, é algo importante para todos e não deve ser esquecido para ninguém.

No mesmo sentido, o processo de ocupação do Brasil, ao longo dos séculos, consolidou esse quadro de devastação dos povos tradicionais. Essa constatação é sustentada pelos dados da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), cuja conclusão é de que apenas 0,25% da população brasileira é formada por índios residindo em aldeias. Os números pouco representativos, em relação ao quantitativo total da população brasileira, relevam a fragilidade de reivindicação de políticas públicas voltadas para sua proteção, agravada ainda pela crescente tendência de expansão da fronteira agrícola, utilizando-se de parcelas de território legalmente protegidas para ocupação das tribos e também pelos conflitos na utilização dessas terras.

Portanto, urgem medidas para sanar o problema dos índios no país. Para tanto, o MEC deve fornecer verba para as escolas, para que haja materiais educacionais adequados, para que os professores possam dar aulas de história com qualidade, de forma que ensinem sobre os povos que haviam antes dos portugueses chegarem ao continente, para que crie uma identidade nacional também com o índio, como cidadão participante da história do Brasil. Não obstante, cabe à mídia, através de suas redes de comunicações, o trabalho de pedir o apoio popular a favor dos indígenas, para que pressionem o Poder Federal em delimitar maiores terras para os índios em seus territórios de origens, e com essa aliança com o povo, haja pressão também sobre os latifundiários, que impedem a criação desses novos territórios, para que percam esse poder através do exercício da democracia. Dessa forma, o país terá uma maior cidadania concedida pela Constituição.