A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 30/03/2020

O romance indianista, no século XIX, foi uma das principais tendências do romantismo brasileiro, no qual o índio era exaltado com herói nacional por sua bravura e honra. No entanto, a realidade do Brasil atual difere da literatura, visto que o índio não consegue viver sem que seus direitos sejam violados, devido não só à visão etnocêntrica herdada dos colonizadores, mas também à visão errônea de que o índio é um empecilho no desenvolvimento do país.

Pero Magalhães Gândavo, em sua carta ao rei de Portugal, descrevia os índios como se fossem inferiores, acentuando que na língua indígena faltavam as letras “F”, “L” e “R”, sendo assim, faltavam a eles fé, lei e rei e, por causa disso, viviam desordenadamente. Infelizmente essa visão etnocêntrica em relação ao índio se perpetua até hoje, uma vez que a língua oficial do país é o português, enquanto que as línguas indígenas são apenas dialetos.

Outrossim, vale ressaltar que o Brasil é um país essencialmente agrário, e que a sustentabilidade pregada pelos índios se choca com os ideais de desenvolvimento agrícola. Dessa maneira, muitos proprietários de terra enxergam o índio como um empecilho, transmitindo essa visão para a sociedade. Nesse contexto, casos de discriminação e até mesmo de assassinatos se tornam comuns, fato que pode ser exemplificado pelas mais de 1000 mortes indígenas nos últimos 35 anos, segundo dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

É inegável, portanto, a necessidade de valorizar e de garantir direitos dos povos indígenas. Dessa forma, cabe à mídia disseminar a cultura indígena em seus meios de comunicação, por meio de propagandas, a fim de mostrar que ela também é parte do mosaico cultural brasileiro. Para mais, cabe ao Governo aumentar a fiscalização e a punição de casos de discriminação e mortes dos povos indígenas, a fim de minimizar essas atrocidades. Desse modo, a valorização do índio proposta pelo ideal romântico ficará mais perto de ser alcançada.