A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 06/04/2020
Em 1500, as caravelas portuguesas chegaram à Bahia. Dentro delas, centenas de portugueses comemoravam a chegada à terra firme após meses de viagem. Eles, no entanto, tiveram uma surpresa ao notarem os moradores daquelas terras — os primeiros brasileiros. “Andam nus sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa de cobrir nem mostrar suas vergonhas e estão acerca disso com tanta inocência como têm de mostrar no rosto.”, é o que consta na carta de Pero Vaz de Caminha, o primeiro documento do Brasil. Ao notar suas diferenças, os portugueses decidiram que sua missão era civilizar os povos nativos ali presentes. O que eles não perceberam, é que os índios nunca precisaram de sua civilização.
Grande parte dos livros de História têm a mesma perspectiva: os portugueses chegaram ao Brasil, viram os índios com sua falta de roupas e de cristianismo e se compadeceram deles, os ensinando como atingirem o “grau de evolução europeu”. No entanto, ninguém nunca se pergunta o que há além dessa visão eurocêntrica. No início do século XVI, a estimativa era de cinco a seis milhões de indígenas no Brasil, nos dias de hoje, tal população foi reduzida a oitocentos mil. A problemática da população indígena é muito mais atual do que se pode imaginar, tendo em vista que, no Brasil, os assassinatos de indígenas cresceu 22,7% em 2018, segundo a Exame.
Além das elevadas taxas de assassinato e preconceito, seja por cunho racial ou religioso, os índios também têm que lutar pela terra que é assegurada a eles pela Constituição. Isso porque a grilagem de terra, o garimpo ilegal e a bancada ruralista a cada dia tomam partes das terras indígenas para benefício próprio. Tal prática dizima populações indígenas e suas culturas. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CTP), o número de mortes de líderes indígenas em 2019 foi o maior em 11 anos.
Portanto, torna-se óbvio que a situação da população indígena nos dias de hoje está longe de ser boa. O Brasil ainda é um país em que se encara os índios pela visão eurocêntrica e os nega seu direito à terra e identidade. É preciso que o governo impeça a agropecuária de tomar as terras demarcadas, a fim de garantir a vida da população que vive ali. Além disso, é preciso ensinar a população sobre a verdadeira história da colonização e como os índios são muito mais do que os séculos de histórias mal contadas por europeus.