A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 07/04/2020
Durante movimento literário Romântico, no século XIX, a figura do índio foi apresentada de forma heroica na poesia indianista, a fim de associa-la à construção de um sentimento nacionalista. Entretanto, percebe-se que tal imagem é superficial e, na verdade, foi consolidada apenas no plano literário e não no campo social. Desse modo, faz-se preciso reavaliar o seu espaço e importância na atual sociedade brasileira, visto que a cultura indígena é parte constituinte da identidade nacional e se encontra sendo, muitas das vezes, marginalizado e até esquecido pela população.
Em primeiro lugar, o reflexo histórico contribuiu para que os índios perdessem seu espaço e fossem considerados selvagens. No século XVI, momento em que começa o processo colonizador no Brasil, a imposição dos portugueses sobre os nativos se deu a partir de várias formas: pelo catolicismo imposto diante das crenças já existentes dos indígenas, pela exploração da natureza e pelo uso da língua portuguesa, hoje dada como idioma oficial, sobrepondo os dialetos já existentes. Essas ações acarretaram no contínuo processo de extermínio acerca de tal cultura e, inclusive, fizeram com que, hoje, alguns cidadãos tenham uma visão construída à base do estereotipo e, até em muitos casos, folclórica desses grupos.
Além de tudo, os índios brasileiros têm de lutar por suas terras, isso porque a bancada ruralista do país vem tomando terras indígenas para destinar á sua atividade comercial, o que resulta em conflitos violentos e na perda do seu território. Essa situação vem exterminando muitas tribos e impedindo o avanço de qualquer tentativa do governo brasileiro ou de ONGs que trabalhem na questão indígena no Brasil. Tal fato contraria os Direitos Constitucionais, que garantem o direito de posse dos índios sobre as terras tradicionalmente já ocupadas e evidencia que os interesses ruralistas, por vezes, se sobressaltam aos direitos de proteção das tribos indígenas.
Diante disso, a valorização do índio se faz necessária para inverter o atual cenário. Para isso, a escola, que tem parte fundamental na educação dos jovens, visando a quebra de preconceitos por parte da nova geração deve garantir que sejam feitos debates acerca do assunto, tanto em aulas de sociologia e história quanto em fóruns extracurriculares. Do mesmo modo, o ministério da cultura juntamente com os canais de comunicação poderiam investir na representatividade indígena, por meio de filmes, desenhos, quadrinhos e documentários destinados a todas as idades. Fazendo com que dessa forma, haja uma maior valorização da construção cultural brasileira, embasada em uma das suas principais vertentes, a indígena.