A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 17/04/2020
Se, no Brasil, o Romantismo teve como primeira geração o Indianismo, no qual escritores e artistas resgataram a imagem no índio como herói nacional da pátria recém proclamada independente - contexto do qual José de Alencar foi expoente, com os romances “Iracema” e “O Guarani” -, a realidade hodierna regressa à colônia e se afasta de conceitos democráticos, posto que o país ainda está longe de reconhecer os direitos indígenas de identidade e territorialidade.
Em primeiro lugar, o sociólogo Gilberto Freyre defende a importância da valorização da história e da antropologia para se compreender país. Todavia, as escolas ainda atendem, sobretudo, aos padrões da classe dominante formada por brancos euro-americanos, o que inibe o reconhecimento do mérito dos nativos na formação histórico-cultural brasileira. A título de exemplo, estuda-se o desenvolvimento do Brasil sob a ótica dos colonizadores, mas não das tribos autóctones – cujo legado está presente tanto nos hábitos alimentares quanto no vocabulário. Assim, é inconcebível que um país conhecido por sua diversidade continue a estimular a indiferença por meio da negação da alteridade desses povos.
Em segundo lugar, para os índios, as guerras por direitos nunca acabaram. De acordo com a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) em 16 anos, aconteceram cerca 450 homicídios e 700 suicídios entre a etnia Guarani-Kaiowá. Isso acontece tanto por causa dos conflitos causados pelo avanço do agronegócio sobre as terras indígenas, quanto em razão das reservas, visto que há isolamento em um pequeno território do qual não podem sair, não conseguem plantar o suficiente, nem exercer práticas tradicionais, como a caça. Portanto, em pleno século XXI os índios, expostos a uma opressão enraizada na cultura, permanecem com problemas coloniais, dado que são preteridos pelo lucro de poucos e têm suas necessidades invisibilizadas.
Destarte, o Ministério da Educação deve se aliar a especialistas, como Ailton Krenak, uma das maiores lideranças indígenas no país, em um projeto escolar sobre as tribos autóctones e a relevância desses grupos para a cultura nacional. Por meio de aulas e atividades lúdicas, os professores de história, geografia e sociologia precisam abordar as tradições indígenas, costumes dos povos e, especialmente, suas atuais demandas. Objetiva-se, com isso, educar a população a fim de contribuir para a visibilidade indígena. Além disso, o Ministério da Justiça e a FUNAI devem, em reuniões com representantes das tribos, fiscalizar a situação territorial das demarcações, tanto para coibir as invasões, como garantir reivindicações e perceber as necessidades desses grupos.