A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 09/04/2020

A carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei de Portugal, em 1500, descreve as riquezas naturais no território recém “descoberto” e alerta sobre a necessidade de civilizar os nativos de acordo com os hábitos europeus. De forma análogo, essa concepção ainda é responsável por grande parte da população, já que vários indígenas são qualificados como selvagem e preguiçosos. Nesse sentido, é necessário analisar como essa concepção ignora os direitos assegurados na Constituição de 1988 e contribui com a perpetuação de preconceitos.

Em primeiro lugar, sucessivos governantes não implementaram a demarcação de terras indígenas. Apesar da existência de leis que assegurem os direitos dos povos originários, eles ainda têm de lutar pela terra, uma vez que a bancada ruralista vem ocupando esses locais para colocar sua atividade comercial. Haja vista que esse confronto extermina muitas tribos que em busca de melhores oportunidades de vida passam a ocupar as cidades, porem a falta de qualificação profissional, muitas vezes, dificulta o ingresso no mercado de trabalho e contribui com sua marginalização. Logo, o descumprimento de direitos apaga tradições milenares e contribui com a pobreza.

Em segunda análise, a sociedade do século contemporâneo reproduz pensamentos como o dos portugueses do século XVI. Isso ocorre, pois a falta de valorização da história e contribuição dos nativos para a construção do país contribui com a propagação de estigmas. A partir disso, o racismo estrutural normaliza os baixos índices de IDH, a escassez  de representatividade política, uma vez que isso não causa grande comoção na maioria da população. Assim, a falta de conhecimento da população ajuda no silêncio institucional e também com o apagamento dessas heranças.

Portanto, a ausência institucional de políticas públicas e o racismo têm prejudicado a permanência das 234 tribos catalogadas pela FUNAI. Desse modo, com o objetivo de perpetuar essa diversidade as ONGs, que auxiliam a comunidade nativa, devem veicular nas mídias sociais um abaixo-assinado que busca pressionar o poder Federal para que seja feita as demarcações a fim de pacificar essas regiões e preservar sua essência. Além disso, a secretária de educação deve implementar na grade curricular do ensino médio aulas sobre os povos nativos para que, então, pensamentos como o dos colonizadores sejam extintos .